Tá chegando a hora

Moçambique. É nesse país africano que a mão do destino quer me lançar. Nunca em minha vida pensei que pisaria nessas terras, e agora faltando dois dias para a viagem, cá estou olhando para meu passaporte carimbado com o visto, passagem aérea comprada em mãos e um bloquinho de notas com centenas de anotações de email’s, telefones de pessoas e lugares, além de outra dezena de contatos de instituições moçambicanas.

 

Ansiedade

Um misto de sentimentos me consome. Negação do que está acontecendo, saudades antecipadas da Luisa, da família e amigos (principalmente Rapha, Ana e Nati), vontade de chegar logo o dia do embarque, curiosidade e receio do desconhecido.

Tudo isso, mesmo que eu tente ocupar a mente com outras coisas, tem ganhado espaço nessa antevéspera da viagem. Apesar dessas percepções quererem me devorar, as aceito.

Minha ansiedade tem atingido a estratosfera, bem sei. No entanto, vejo um grito pela surpresa ganhar voz em mim e a vontade de mergulhar nesse país aumenta cada vez que olho para o relógio. Aí penso: Maputo, tá chegando a hora. E misturado nesse turbilhão de sensações vou tentando manter o equilíbrio.

Cliques frenéticos

Quando penso demais viajo e vou longe. Visto as vestes da minha falimentar ansiedade e abuso do que o Sr. Google pode me contar nesse momento.

Pela janela da net fico a mirar ao longe um Moçambique que irei pisar em breve, desejando saber desse país muito mais pelos meus olhos e pés que pelos meus frenéticos cliques no mouse. Mas por enquanto, ainda pisando em terras tupiniquins, o que o “sabe tudo” Google me conta é que…

 (…) é um país lusófono de 10 províncias (estados: Niassa, Cabo Delgado, Nampula, Zambézia, Tete, Manica, Sofala, Inhambane, Gaza) mais a capital Maputo, na costa oriental da África Austral, banhado pelo Canal de Moçambique e pelo Oceano Índico.

Depois de muita luta, tornou-se uma República Democrática (tema de um futuro post, prometo). É um Estado limitado a oeste pelo Zimbábue, ao norte faz fronteira com a Tanzânia, a noroeste divide sua geográfia com Zâmbia e Malawi, ao sudoeste entrecorta o Reino da Suazilândia e mais ao sul circunvizinha a África do Sul.

Quero mais bagagem

O que sinto é que se eu não tivesse me lançado nesse desafio ficaria um enorme vazio nesse final de graduação em jornalismo. Percebo que preciso de bagagem (não aquela convencional com alças, mas a da vivência) e nessa busca que é só minha, motivado pelas experiências de conhecer novas culturas, novas rotinas, outros tipos de culinária, outras influências musicais e histórias de vida das pessoas, começo por contar a você os preparativos da viagem.  

Passaporte, carteira internacional de vacinação e visto

O mais fácil de quebrar radicalmente sua rotina, deixar para trás sua família, sua casa, sua namorada, seus amigos, seu trabalho, seus lugares e comidas prediletos, é correr atrás dos trâmites legais para ingressar em um país. Depois que percebi o quão difícil é abandonar (mesmo que provisoriamente) a vida que você estava acostumado, arrumar a documentação para viajar é brincadeira de criança.

Então vamos lá, primeiro passo: passaporte. Para quem ainda não tem vai uma dica do que pode ser feito. Você deve requerer seu passaporte junto à Polícia Federal.

Para isso basta seguir as orientações do site da Instituição.

Segundo passo: carteirinha internacional de vacinação.

Em alguns países é exigida a apresentação do cartão internacional de vacinação constando que foi tomada a vacina contra a febre amarela. Sem esse documento você não entra no país e no meu caso, Moçambique não fugiu à regra, por se tratar de uma faixa endêmica.  Então, tive que tomar. No site da ANVISA , você pode saber onde ficam os postos de vacinação na sua cidade. Para mais informações clique aqui.

Terceiro passo: visto.

Para entrar em Moçambique você não precisa previamente de um visto. Basta desembarcar no país e solicitar o visto logo no aeroporto. No entanto, acho que não compensa muito porque não lhe dá direito a múltiplas entradas. Optando por esse visto na chegada, você terá apenas 30 dias para renová-lo e toda vez que sair do país terá obrigatoriamente que pagá-lo de novo.

Acho que nesse caso, é uma questão de avaliar o visto que vale mais à pena de acordo com seu tempo de permanência e pretensões. No meu especificamente, já que estarei em Moçambique por sete meses, requeri junto à Embaixada de Moçambique que fica em Brasília. Fiz a opção pelo visto de “múltiplas entradas” e paguei a “bagatela” de R$624,00 pelo visto mais R$40,00 pelo reenvio do documento.

Para o visto direto na Embaixada de Moçambique no Brasil, clique aqui.

Passagem aérea

Resolvidos os trâmites primeiros é hora de comprar a passagem. Os voos que saem do Brasil para Moçambique partem de São Paulo com conexão em Johanesburgo, na África do Sul.

A empresa aérea que sai mais em conta é a South African Aiways . Para mim ficou assim (longas 13 horas pela frente):

Belo Horizonte – São Paulo pela TAM.

São Paulo – Johanesburgo pela South African Aiways.

Johanesburgo – Maputo pela South African Aiways.

Qualquer Decolar.com da vida você resolve essa questão. Eu ? Preferi comprar na CVC  ao lado do boteco que gosto de frequentar no Maletta . (risos)

Travel card

Passagem em mãos é o momento de se pensar no din-din. Não há, repito, não há bancos brasileiros em Moçambique. Perdi um tempão procurando por uma Caixa Econômica Federal – CEF ou Banco do Brasil – BB por lá, e na net só vi informações desencontradas sobre o assunto.

Então, uma alternativa é fazer um cartão internacional visa ou mastercard e pagar um absurdo de juros. Outra é levar em espécie, e uma terceira seria você  fazer como eu fiz (super recomendo isso).

Faça um VTM (Visa Travel Money). Esse cartão é pré-pago, recarregável e pode ser utilizado para compras e saques em sua viagem. É bem aceito lá fora e em estabelecimentos filiados à rede Visa. Para saques você deve se dirigir à caixas automáticos ATM’s com selo Plus. Para conseguir um desses basta procurar uma agência de turismo, simples assim.

 

Próximo post

Andei fazendo umas pesquisas de custo de vida em Moçambique com a ajuda de duas moçambicanas. Elas mensuraram alguns valores e me indicaram alguns locais onde ficar em Maputo. No seguinte, apresento para você essas informações. Até lá.

 

 

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Contagem regressiva: Moçambique é logo ali

“O que?” “Quem?” “Quando?” “Onde?” “Como?” “Por que?”. Tenho reservas em relação a esse formato tradicional de lead, mas vamos a ele, já que esse blog é de um estudante de jornalismo. Por via das dúvidas, preferi usá-lo. (risos) Do contrário, correria um sério risco em ser advertido formalmente por alguns dos mestres do Centro Universitário UNA. E isso não queremos não é mesmo? (risos)

Então, vamos lá: o que? Um blog que conta as experiências de um estudante de jornalismo vivendo na África. Quem? João Paulo Costa (euzinho mesmo). Quando? Em poucos dias. Como? Uma bolsa de estudos de sete meses. Onde? Universidade Politécnica em Maputo, capital de Moçambique. Por que? Leia esse blog com frequência que entenderá em breve. (risos)


Há 10 dias de pisar em novas terras

A aventura em morar na África começa pelo meu envolvimento com a cultura africana que sinceramente, não consigo explicar. Sempre admirei. Sei senti-la e isso me levou a esse novo desafio. Para mim, viver no continente africano significa novas oportunidades de crescimento pessoal batendo à porta (e agradeço a Deus por isso).

Entre a familiaridade nata com a cultura afro  e o interesse em desnudar com meus próprios olhos costumes diferentes dos meus, cá estou me vendo hoje, a arrumar as malas para viver em um pedacinho da mãe África que fala a língua portuguesa: Moçambique.

A partir da vivência em Maputo, queira Deus que eu consiga mirar as Terras de Moçambique para além do que o Sr. Google nos conta, e que você embarque nessa comigo e aprecie. Esse é o intuito desse blog.

O mergulho

O que me espera ? Um choque cultural, novos aprendizados, experiências antropológicas? Um olhar mais sensível? Uma aorta mais humana? Sinceramente, não sei.

Só consigo sentir (agora) o mergulho que quero dar nessas terras.

Creio que o grande lance de mergulhar em algo diverso do que você está acostumado é não saber ao certo o que vai encontrar lá no fundo. E isso me fez lembrar uma frase que aprendi ainda criança: “se deseja saber alguma coisa nessa vida mergulhe nela de cabeça”. Obrigado João Paulo (pai) por me ensinar isso (te amo meu doce guerreiro)

Enfim, a meu ver, o bom de mergulhar é a surpresa. E parafraseando um Marx de barbas vermelhas e empoeiradas, afirmo para você: “a “surpresa” é o motor da história”. Pelo menos da minha “história,” e montado num cavalos de sonhos, África lá vou eu.

Amores cá no Brasil

Ficarão para trás (só geograficamente, porque os levo aonde quer que eu vá) meu pai e mãe amados, minhas irmãs queridas, avós carinhosas, tios e primos companheiros. Ficarão também grandes amigos-irmãos que cativei e minha doce Luisa, pessoinha mais linda que trouxe cores solares para minha vida.

Esses queridos ficarão aqui no Brasil, mas irão comigo para a África em espírito e no coração. Tenho absoluta fé nisso! Fica aqui o meu amor por vocês nesse primeiro post.

Mais perto da inquietude

Para finalizar esse post volto ao título, mas com reticências: “Moçambique é logo ali”… Sim, é logo ali! Perto da imersão, do mergulho e da curiosidade desse estudante de jornalismo inquieto.

Gostaria também de juntar minha voz à García Marquez: “quero dar valor às coisas não pelo que valem, mas pelo que significam”.

Espero que o “Terras de Moçambique” chegue perto disso! De significados. Não só para mim, mas para você também.

Próximos post’s

Continue acompanhando. Nos seguintes trarei detalhes dos preparativos da viagem: trâmites com passaporte, visto, travel card, passagem aérea, busca por um local para ficar e claro, minha chegada em Maputo, cidade que escolhi para esse intercâmbio e que tenho certeza, também me escolheu há tempos.

Até o próximo.