Impressões de Maputo

Impressões de Maputo

A “Cidade das Acácias” – Maputo, nome carinhosamente apelidado pelos moçambicanos, me parece uma metrópole com aquela pegada de “centro velho”.

Quando cheguei aqui gostei e não gostei de muita coisa que vi. No entanto, tomara que as primeiras impressões não permaneçam por muito tempo. Porque nessa cidade que escolhi para viver pelos próximos seis meses, o que salta aos olhos em princípio é a falta de infraestrutura urbana, além de um patrimônio arquitetônico bastante degradado.

 Andando por aqui se percebe muita sujeira espalhada pelas ruas e buracos nas calçadas que se você bobear pode cair num deles e até se machucar. Problemas relacionados à falta de um transporte público adequado com ruas esburacadas, à degradação das condições de higiene na cidade, à deficiente rede de estradas e de saneamento urbano, às construções desordenadas, à insuficiência das redes escolares, ao elevado índice de desemprego, ao comércio informal que invade as calçadas, à polícia corrupta e à falta de um planejamento urbano estratégico marcam o dia a dia dos maputenses.

 De uma capital diplomática, econômica e política mergulhada num mar de problemas, o que vejo nesses primeiros vinte dias é que somente as avenidas principais têm um asfalto relativamente bom, e nas vias menores há pouca sinalização. Muitas vezes, não se percebe sequer um vestígio de um calçamento digno ou uma rede de esgoto adequada nas vias.

A guerra que se instaurou por um longo período no Estado de Moçambique não fez da infraestrutura urbana de Maputo uma prioridade. A     região central, por onde caminhei mais, traz parte do legado colonial português com um bocado de avenidas empoeiradas que levam nomes também empoeirados de lendários comunistas (alusões aos sonhos de um ideário comunista que influenciou a vida dos moçambicanos na década de 80 – tema de futuro post, prometo).

Patrimônio arquitetônico

Entre um contínuo combate à pobreza e prioridades internas tendo como pano de fundo uma guerra de libertação que fazia frente ao colonialismo português, o patrimônio arquitetônico da capital do país foi também deixado um pouco de lado.

Os “portugas” foram embora após a Independência da República de Moçambique em junho de 75, e desde então, o que dá para perceber é que as construções não foram conservadas como deveriam, e não houve um planejamento estrutural das vias.

Perguntei a várias pessoas o porquê disso em Maputo, e a resposta foi recorrente: “num determinado momento os “portugas” foram embora e sem eles os investimentos cessaram na capital. Havia naquele momento outras prioridades. E não bastasse isso, Moçambique enfrentou ainda uma guerra interna com partidos políticos que queriam o poder, e isso prejudicou ainda mais o desenvolvimento estrutural da cidade. Por consequência, houve uma degradação acentuada de seu patrimônio arquitetônico”.

Contrastes

A cidade é cheia de antagonismos. Há também setores urbanos bastante desenvolvidos com novas edificações  – shoppings lindos, belíssimas mansões e vias muito bem asfaltadas. Há ainda boas e conservadas edificações, como por exemplo, o prédio da biblioteca nacional, a edificação dos correios, do ministério da defesa, e os prédios do museu de história natural, do museu de geologia e da moeda. Mas se por um lado a coisa funciona, de outro lado se vê bairros inteiros (periféricos) que não apresentam condições mínimas para se morar. Infelizmente, isso fica evidente para quem caminha ou passeia de carro pelas ruas de Maputo.

Realidades diferentes de muitas cidades brasileiras? Não, mas é lamentável, porque para além desses problemas e contrastes, se percebe uma cidade muito bela. Veem-se por aqui muitos casarões com aspectos arquitetônicos bastante rebuscados e alguns espaços que só precisam de um pouquinho mais de cuidado.

Mudanças

Maputo demonstra sinais positivos de mudanças, a meu ver. Pelo que me contaram alguns moçambicanos, há um esforço por parte das autoridades locais em reabilitar as vias, remover os resíduos sólidos urbanos, melhorar a construção de passeios, além da tentativa em expandir os sistemas de drenagem de águas pluviais nos bairros mais afastados da região central. É insignificante ainda, pelo que me informaram. Mas não deixa de ser um alento para quem vive aqui.

O custo de vida está nas alturas como disse num post anterior. E os desníveis sociais se acentuam cada vez mais por uma falimentar desigualdade de oportunidades.  No entanto, há de se mencionar que existem planos parciais de urbanização em Maputo, e que entre todas essas assimetrias que a torna um pouco caótica com o luxo e o lixo caminhando lado a lado, há também uma luz no fim do túnel, com uma certa preocupação por parte de alguns políticos que desejam uma melhora na qualidade de vida de quem vive por aqui. Torço, de verdade, para que as coisas aqui sejam mais bem estruturadas num futuro próximo. O moçambicano merece!

O que visitar

Próximo post

No próximo post falo um pouquinho da rotina em Maputo, do tempo e do ritmo que são próprios dos que vivem por aqui.

Hambanine! Até lá…

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