Moçambique – Dos primórdios à colonização portuguesa

Estamos no segundo post da série sobre a história de Moçambique. Pois bem, como disse no post anterior, não sou dono da verdade e nem tenho esse desejo. O que trato a seguir talvez venha um pouco influenciado pelas informações que tive acesso. E aqui há somente uma interpretação da vasta história desse país, ok? Que fique (me permita) “muuuuiiiito” claro isso!

Não há aqui uma verdade absoluta, apenas segue um recorte (talvez um “pouquinho” apaixonado – risos) da história de Moçambique. Então, reiterando essas afirmações, vamos ao que nos conta o “Ensaio sobre a Cultura em Moçambique”, de Carlos Jorge Siliya.

No atual território de “Moz”, entre os anos de 200 e 300 d. c., ocorreram muitas migrações de povos Bantus, vindos do entorno dos Grandes Lagos ao norte do país. Havia aqui, naquela época, duas comunidades bem organizadas: os Monomotapas  e os Suailis.

E nos finais do séc. VI nas zonas costeiras se estabeleceram as primeiras tendas comerciais pertencentes aos Swahilárabes (junção dos negros com os árabes), que viveram por muito tempo da troca de mercadorias.

”Portugas” na área

No séc. XV, os danadinhos chegam até aqui. Foi um cidadão de nome Pêro da Covilhã, o primeiro português a estabelecer relações comerciais com os povos desta região.

Naquele momento, pelo que conta algumas livretos que andei folheando, ele excursionava pela costa do atual território de Moçambique a pedido de D. João II.

Depois que o portuga se deu conta do “achado”, fez logo as vezes de comunicar por carta à Coroa Portuguesa de que havia “encontrado” uma terrinha, digamos, bem propícia  aos interesses portugueses.

E aqui (me desculpe) pausa para a piada. Sabe quem veio na sequência e pisou nas “Terras de Moçambique”?  Foi o Vasco da Gama. Não o clube de futebol que estamos acostumados a vê-lo todos os anos levar os vice-campeonatos no Brasil (desculpe a piadinha – mas não poderia perder a oportunidade dessa alfinetada – risos), mas o original, que representava à Companhia Portuguesa das Índias. Dito isso, vamos à sequência do que andei pesquisando.

Pelo que li em um almanaque de Moçambique, desde 1502 até meados do séc.XVIII, os portugueses entenderam que o país representava uma rota estratégica no caminho marítimo para a Índia.

Seguindo então essa rota, a presença deles por aqui se intensificou. Mais precisamente em Sofala e na Ilha de Moçambique no início. Nesses locais, foram criadas as primeiras feitorias e fortalezas. O objetivo era um só: o comércio.

Somente anos depois, os portugueses que tentavam encontrar, dominar e explorar as zonas auríferas, se aventuraram pelo interior do país, onde construíram novas fortalezas. Os produtos mais comercializados naquele momento eram o marfim e o cobre. E havia uma tentativa por parte dos portugueses em encontrar a qualquer custo o ouro de Moçambique.

Já no séc.XVII, à semelhança do que ocorreu em terras tupiniquins, quando criaram as famosas Sesmarias, a Coroa Portuguesa estabeleceu um regime de concessões de terras por aqui: os chamados “Prazos”. Uma espécie de feudos doados pelo que entendi do livro de Siliya, e isso marcou o primeiro estágio da colonização portuguesa.

Os “prazeiros” (donos dos Prazos), profundamente envolvidos no comércio de escravos impulsionaram a colonização portuguesa.

Fim dos “Prazos” e tráfico negreiro

Com a extinção dos “prazos” em 1832, por decreto régio, e com a emergência dos estados militares, iniciou-se o comércio de escravos que se manteve mesmo após a abolição da escravatura nas Colônias, em 1889.

Há um relato bem interessante no livro de Siliya que fala que (…) “calcula-se que entre 1780-1800 tenham sido exportados de Moçambique em média anual, entre 10 a 15 mil pessoas e, em 1800-1850 a média anual tenha atingido cerca de 25 mil”.

“Um comércio extremamente lucrativo para negreiros árabes, suailis e europeus” – portugueses, franceses, ingleses, holandeses e austríacos, lucraram muito nessa brincadeira.

Conferência de Berlim

A colonização efetiva de Moçambique só se inicia verdadeiramente sob o impulso da Conferência de Berlim, em 1885, quando as principais potências europeias fizeram a partilha da África. Esse acordo obrigava os portugueses a uma ocupação efetiva de todo o território que era reconhecido como seu naquela conferência, e se me permita, foi uma grande negociata tudo isso. Uma pena!

Moçambique então, à semelhança do que acontecia em outras colônias europeias, começa a ser administrado por grandes companhias magestáticas a quem o Estado Português concedeu vastos territórios. E isso foi fruto de discórdia, logicamente. A ocupação desses territórios e o desumano processo de mercantilização dos negros impulsionaram revoltas internas no país.

Resistência

A ocupação colonial nunca foi pacífica, tendo-se verificado até o início do séc.XX forte resistência por parte de vários chefes tribais como Mawewe e Ngungunhama.

À semelhança do que aconteceu noutros colônias portuguesas, Moçambique também se rebelou contra a ocupação colonial portuguesa iniciando sua luta armada, mas isso é tema para o próximo post.

Hambanine, até lá!

2 respostas em “Moçambique – Dos primórdios à colonização portuguesa

  1. Porque razao, que sempe que se fala da resistencia em Mocambique, s se fala de Ngungunana? As pessoas entendidas em historia, pouco ou nunca falam da resistencia do Barue, onde pela primeira vez houve a unidade nacional de tres grupos etnicos, lutarem contra os portugueses. Onde esta o problema.

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