Suazilândia – um reino de virgens e contrastes

Dei uma paradinha nos post’s sobre Moçambique. Foi necessário e explico o porquê. Esse útimo final de semana, estive no Reino da Suazilândia para participar de uma manifestação super curiosa. E pelo que vi e senti, não poderia deixar de escrever sobre isso.

Reino da Suazilândia

Mesmo tendo um blog que trata apenas das “Terras de Moçambique”, seria egoísmo demais da minha parte se não dividisse com você as coisas que percebi na Suazilândia. Mas antes de mergulhar nesse post, quero fazer uma perguntinha: você sabe onde fica esse Reino? Sinceramente eu nunca tinha ouvido falar até conhecê-lo (e de antemão confesso: foi sensacional descobrir esse lugar, apesar também de algumas duras constatações).

Então, vem comigo e tire suas próprias conclusões sobre o ritual e o país, que começo a apresentar.

O destino

A Suazilândia é um pequenino reino que fica ao sul da África, entre Moçambique e a África do Sul. Com cerca de 97% de negros, na maioria da etnia suazi.

O interessante é que é a última monarquia absolutista de todo o continente mãe. Para conhecê-lo fui de carro com um grupo de brasileiros que residem em Maputo (capital de Moçambique, onde vivo), e em apenas três horas de carro chegamos ao local onde acontece todos os anos o ritual que fomos assistir, denominado “Umhlanga Reed Dance”.

Essa manifestação que dura oito dias, acontece no Vale de Ezulwini, em Manzini, há aproximadamente 30 km da capital do país, a cidade de Mbabane. Ocorre no final do mês de agosto, e é um momento único no qual o Rei Mswati III escolhe uma nova esposa todos os anos.

Para alguém de fora participar basta as mulheres vestirem uma saia e os homens não usarem chapéus e bonés no decorrer da cerimônia. É de graça, galera. Curioso não? Vamos aos detalhes.

Virgens dançam para o Rei

Nessa manifestação são reunidas aproximadamente 70 mil jovens suazis, solteiras e virgens de todas as regiões do país, que se juntam nessa tradicional dança na expectativa de que uma delas venha a ser escolhida pelo monarca como esposa.

Umas envoltas em tecidos estampados com a figura do rei, outras trajando apenas uma minissaia e colares coloridos no pescoço. Elas bailam seminuas e mostram os bambus colhidos nas colinas próximas para o Rei, que assiste às danças atentamente. É tudo muito mágico, e trago na memória imagens incríveis desse meu útimo domingo.

 

 

Veja abaixo algumas imagens do Rei e suas princesas:

 

Como disse anteriormente, essas jovens mulheres almejam se tornar a próxima esposa de Mswati III, conhecido como “o leão” (talvez pelo apetite voraz que ele tenha – não se sabe ao certo quantas esposas ele possui, mas calcula-se algo em torno de 15 a 30, entre oficiais e concubinas).

As jovens candidatas vão até o Estádio Real de Manzini dispensando o velho véu e grinalda conhecidos por nós, e a cantar tributos ao rei e a rainha-mãe, aguardam ansiosas que uma felizarda seja escolhida ao final de oito dias de cerimônias.

Para além disso, segundo algumas informações que colhi, a manifestação cultua também a pureza da mulher suazi. A festa também celebra a unidade nacional, de acordo com um encarte que tive acesso no Lidwala Backpacker, local onde me hospedei com os demais brasileiros.

O que o leão não vê

Um milhão de habitantes divide o espaço com gigantescas plantações de cana de açúcar e com uma família real muita rica, que não divide o seu ouro.

Pelo que li, “de cada três suazis, dois vivem com menos de um dólar por dia”. Assim sendo, ser escolhida como a nova esposa do rei pode ser a salvação da família da nova esposa.

Da direita para a esquerda: Rei Mswatti III sentado ao lado da Rainha-mãe

Na pesquisa que fiz sobre o Monarca, fiquei sabendo que Mswati III sucedeu ao seu pai, Sobhuza II, em 86. O atual rei da Suazilândia nasceu em 19 de abril de 68, poucas horas antes do acordo de Independência assinado entre seu país e a Grã-Bretanha. Ele é considerado um dos mais poderosos soberanos do mundo, de acordo com uma lista feita pela revista Forbes. Quer saber mais sobre isso? Clique aqui

Outra coisa interessante que fiquei sabendo é que na Suazilândia, “dois terços dos seus súditos são alimentados por ajuda internacional. Outros 34% da população ativa está desempregada e mais de metade vive com menos de um dólar por dia”. E ainda que Mswati III “governa elimando as liberdades civis dos suazis, ostentando cada vez mais luxo e regalias”.

Num país onde, segundo a ONU, a taxa de violência sexual é alarmante, a belíssima cerimônia que estive presente esconde uma dura realidade. A questão das doenças sexualmente transmissíveis e o HIV. Pelo que li, na Suazilândia, 30% das mulheres entre 15 e 19 anos estão infectadas pelo vírus.

As imagens de virgens cantando e dançando (que são belíssimas diga-se de passagem) não revelam uma terrivel situação. Enquanto Mswati III elege uma nova esposa a cada ano, o país se consome na AIDS. A Suazilândia tem o maior índice de contaminação de AIDS por metro quadrado do mundo. E a expectativa de vida da população não supera os 40 anos.

Achei um texto bem interessante que mostra algumas opiniões contrárias à postura do Rei da Swazi. Saiba mais

Abaixo, segue parte de um texto que extraí da net que revela que:

“Embora dois terços de seus súditos estejam na miséria, Mswati vive de forma suntuosa. Segundo seus críticos, ele estimula a poligamia e o sexo com adolescentes. Cerca de 40 por cento dos adultos da Suazilândia são portadores do vírus HIV, que provoca a Aids. E alguns dizem que a cerimônia, que tradicionalmente celebra a feminilidade e a virgindade, se tornou apenas uma vitrine para moças que aspiram a uma vaga na corte. “A cerimônia sofreu abusos por causa da satisfação pessoal de um homem”, disse Mario Masuku, líder do proscrito partido de oposição, à Reuters. “O rei é apaixonado pelas jovens e pela opulência.”

Mas muitos suazis dizem que o monarca tem o direito de fazer o que quiser. Para eles, o pendor por noivas jovens é uma tradição nacional, e cerimônias como esta consolidam a identidade nacional.

“Esta é uma tradição suazi — é só olhar todas as meninas dançando para ver que elas estão felizes com isso”, disse Sam Mkhombe, secretário particular do rei. “As pessoas podem criticar, é a opinião delas, mas isso é a nossa cultura.””

Em meio a controvérsias, o rei da Swazi é bastante criticado por entidades de defesa dos direitos humanos e pela comunidade internacional.  

Fonte: http://forum.valinor.com.br/showthread.php?t=37737

Quer ver mais imagens do REED DANCE? Então, clique aqui.

Próximo post

No seguinte volto às Terras de Moçambique”. Hambanine e até lá…

 

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