Catembe e Praia dos Amores

Um passeio de Ferry Boat e uma praia de pescadores

Temperatura: 28°C.

Maputo, 07h30. Acordei inquieto.

Um sol que não me deixava esquecer que estou em África. Fui tomar meu café e fiquei pensando em como aproveitar o sábado. Aquele solzão lá fora merecia ser vivido. Mas o que fazer? Ah, talvez ir a uma praia. Mas qual? Pensei.

A praia de Maputo, segundo o que alguns moçambicanos me disseram, é imprópria para o banho. Salvo algumas pequenas partes da praia Costa do Sol. E então? Não estou afim de entrar em águas poluídas. Mas onde ir? Foram minhas divagações entre um gole de café, um pedaço de pão e um trago no cigarro.

Óculos escuros no rosto e uma “bermudinha de praia” fui pedir auxílio aos universitários do Fátima’s (risos). Depois da consulta (risos) decidi conhecer o Distrito de Catembe, que tem uma praiazinha e fica no outro extremo da baía de Maputo. É pertinho da cidade e dá para ir e voltar no mesmo dia. Pois bem, é para lá que vou.

Catembe

Resolvido o destino, agora era saber como chegar até lá. Saindo da Mao Tsé Tung, onde eu estava hospedado, tomei uma chapa até a parte baixa de Maputo indo direto para o cais.

A ligação entre o Distrito e Maputo é feita por vários barquinhos e também por um Ferry Boat, carinhosamente apelidado de “catembeiro” pela população local. Isso me lembrou o Ferry de Salvador, que vai até Itaparica.

Você pode pegar o Ferry Boat por apenas 5 meticais (na moeda brasileira é algo em torno de R$0,40) em frente ao Ministério das Finanças, na Av. 10 de Novembro. O percurso até Catembe leva cerca de 25 minutos. O “catembeiro” costuma sair durante o dia de meia em meia hora, e o último sai às 23h. Fique ligado (a).

Comprei meu bilhete no cais e fiquei aguardando o Ferry Boat chegar. Não sabia o que me esperava do outro lado da baía de Maputo, mas minhas pernas reclamavam curiosidade.

Entrei no barco com um ventinho cortante no rosto. Por uns dez minutos dentro do Ferry fiquei apreciando a bela vista da capital de Moçambique. Por um outro ângulo, e isso por si só já vale o passeio.

Como é bonita a Maputo vista da sua baía, pensava. Do Ferry Boat, escutei um borborinho de gente e vi muita movimentação de tripulantes. Todo mundo queria ir para as janelas do barco para apreciar a vista. Percebi ainda um horizonte recortado pelos prédios de Maputo a contrastar com as águas calmas da baía. Gaivotas cortando o céu, sol reluzindo e barulho de vento nos ouvidos. Que ótimo, disparava meus pensamentos.

Da janela do barco, respirei fundo pensando ter deixado para trás a urbanidade da capital. E já sentindo um ar diferente, desembarquei.

Veja no vídeo abaixo imagens da travessia de Maputo à Catembe.

Catembe é nice! É assim que muitos moçambicanos se referem ao Distrito e tenho que concordar. No vilarejo, moram muitas pessoas que trabalham na capital. É um lugar pacífico e bem arrumadinho para os padrões moçambicanos.

Chegando ao cais de Catembe pude ver uma ancoadouro “antigasso”, com barcos pegando pacientemente um solzinho. Mais à frente, vi muita aglomeração de vendedores comercializando frutas, comidas, bebidas e cartões de celulares. Do outro lado da rua alguns poucos restaurantes com uma música alta, um postinho de gasolina e várias chapas estacionadas que levam pessoas para o interior daquelas estradinhas de chão batido que eu via.

Caminhando pelo centrinho de Catembe fitei ao longe a cidade de Maputo. Me senti um pouco aliviado por ter deixado o concreto e o transa-transa de carro do outro lado da baía. Tinha sido uma semana cansativa na faculdade. Havia  feito freelas para uma revista local, que foram um pouco desgastantes. E estar ali naquele momento, era tudo que eu queria.

Acho que naquele dia eu estava querendo mesmo era caminhar e assim o fiz. Ao lado do cais tem um extenso areal com uma praiazinha que dá para fazer ótimas caminhadas. Experimentei com prazer pisar naquela areia. Mas ainda me faltava algo. Talvez uma outra praia seguindo aquelas várias estradinhas com carros que levantavam poeira. Me informei com os nativos e tomei outra chapa, agora, para a Praia dos Amores.

Uma praia de pescadores

Meia hora dentro da chapa por uma estrada de terra batida cheguei ao ponto onde deveria descer. É aqui? Perguntei ao motorista. “Sim, boss, siga por esse caminho uns 2km que chegará à Praia dos Amores”. Ok, agradeci contente e fui caminhando por aquelas “machambas” (hortas em changana), vendo poucas casinhas de tijolos, algumas palhoças e uma estradinha de terra salpicada por um capim alto.

Uma caminhadinha rápida e eu já estava numa praia extensa, quase deserta. Linda, com marolinhas brilhando pelo sol que naquela altura já não dava trégua. O dia era de caminhadas e não me esquivei disso. Fiquei ali, a apreciar o Índico e a pisar naquela areia dura.

Ondas não vi, mas estar ali naquele lugar de paz me revigorou. Depois de algum tempo caminhando, passei por pescadores, conversei com nativos e pude deixar as horas voarem junto daquele ventinho gostoso que eu sentia na praia. “A vida é um passeio e uma caminhada pequena, amigo brasileiro: ou aproveitamos bem enquanto podemos ou depois já não dá”. Foi o que ouvi de uma senhorinha que pescava mariscos na Praia dos Amores.

Segui seu conselho, aproveitei meu sábado e retornei à Maputo no fim da tarde por um “catembeiro” que, agora, dá vontade de sempre pegar.

Hambanine e até o próximo post!

3 respostas em “Catembe e Praia dos Amores

Deixe um comentário...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s