Educação pré-escolar é uma necessidade

Governo e sociedade civil tentam implantar mecanismos de aprendizagem na primeira infância

Um Estado quebrado com um abismo educacional que começa na tenra idade e vai até o ensino superior.

Uma vontade política quase inexistente e uma aceitação passiva da população. Pouca infraestrutura e escassos investimentos de recursos na área da educação e desenvolvimento humano.

Faltam escolas e faculdades públicas que atendam a demanda da população. E necessita-se, urgentemente, de uma melhor capacitação de profissionais na área de educação para dar conta do recado.

Dito isso, alguém poderia estar pensando que estou falando do Brasil, não? Pois é. Não falo do Brasil, mas bem que poderia ser.

Tão maior ou igual aos problemas enfrentados nas terras tupiniquins, a República de Moçambique também sofre com isso. Essa é a dura realidade enfrentada pelos moçambicanos que, muitas vezes, sequer têm escolas próximas às suas localidades. Infelizmente, o Estado ainda não consegue gerir esses problemas e tomar atitudes potencialmente positivas para beneficiar a população nesse sentido.

Desde a sua independência há 36 anos, Moçambique lida com um gigastesco vazio na área da educação, salvo no início da década de 80, onde o país progrediu educionalmente de uma maneira significativa.

Vislumbra-se um quadro mais promissor num futuro próximo para Moçambique? Alguns professores e profissionais envolvidos com a educação no país dizem que sim, outros afirmam que não.

Controvérsias à parte,  percebo que há algumas iniciativas por parte do Estado e sociedade civil visando alterar esse quadro. Uma “luzinha” no fim do túnel, eu diria. Juntos, esses atores sociais desejam incluir a educação para crianças na fase pré-escolar e ainda fomentar debates sobre uma maior atenção à educação de um modo geral.

Tão importante quanto implementar ferramentas educacionais eficazes para adolescentes e adultos, a educação infantil passa a ser um dos focos do país e um dos maiores objetivos do milênio, de acordo com alguns professores da Politécnica.

Resta saber se essa vontade que se percebe por parte da FRELIMO (Governo Moçambicano) gerará resultados eficazes, principalmente para as crianças. A verdade é que hoje a situação da educação no país é no mínimo, alarmante.

Dados que revelam sérios problemas

De acordo com um relatório divulgado em 2008 pelo Ministério da Mulher e da Ação Social do Governo Moçambicano, o país possuía um milhão de crianças em idade pré-escolar (de 3 a 5 anos).

Acontece que apenas 4% tinha acesso ao ensino pré-escolar. Detalhe: essas estatísticas cabem apenas para as crianças que vivem nas zonas urbanas. As que vivem nas zonas rurais sequer foram mencionadas no relatório. Outra questão importante: quase 50% da população de Moçambique é formada por crianças que vivem em zonas rurais.

Um “estudo de caso” proposto pela Save the Children (um ONG que cuida dos direitos das crianças no mundo), sobre a alfabetização em Moçambique, afirma que apenas 41% das crianças da primeira à terceira classe, ou seja, de 6 a 8 anos, leem de 3 a 5 palavras por minuto e são capazes de escrever o próprio nome.

Uma outra abordagem com foco na educação do pais, com base em estudos desenvolvidos pelo Banco Mundial, datada do ano de 2010, revela que 50% das crianças em idade escolar tinham à época sérios atrasos de habilidades de pensamento crítico e outros 25% delas apresentavam atrasos na comunicação e desenvolvimento motor.

Esses relatórios potencialmente negativos têm deixado tanto sociedade civil como Governo Moçambicano em estado de alerta. E fruto dessa preocupação são as tentativas de se firmar parcerias entre ambos para alterar esse quadro.

O que percebo, pelo menos, é uma vontade de mudança no país. O que considero já ser um indicador que por si só merece ser evidenciado. Pensando nisso, convidei o ativista Judas Massinge, da Save the Children para falar ao “Terras de Moçambique” sobre o assunto.

Quer saber mais sobre o trabalho da Save the Children em Moçambique? Clique aqui.

Plano estratégico a ser implementado

De acordo com o ativista da Instituição, começam a ser firmadas parcerias do Governo Moçambicano com ONG’s de proteção à criança que desejam reverter essa situação negativa. “A futura estratégia irá considerar crianças de 0 a 5 anos e será adaptada de acordo com as condições de cada lugar, com escolinhas comunitárias e centros infantis privados ou do Estado, isto é, esse planejamento deseja ser inclusivo. Acredito que no ano que vem tudo isso estará a crescer”, afirma.

Oxalá seja válida essa iniciativa. No entanto, o Comitê das Nações Unidas para os Direitos Humanos aconselha ao Governo Moçambicano que “aumente o acesso ao desenvolvimento e educação já na primeira infância e mobilize forças para levar uma melhor qualidade de ensino às demais faixas etárias”.

Estejamos atentos. Fica a torcida!

Hambanine e até o próximo post! No seguinte trago para você um pouco do trabalho da Unicef Moçambique.

2 respostas em “Educação pré-escolar é uma necessidade

  1. Eu sou brasileira, missionária e educadora Infantil, resido em Moçambique no Dondo, província de sofala há 6 anos. Estamos para mudar esta realidade, não temos medido esforços para ver essas crianças na escola. Já temos uma escola construida e estamos construindo outra. Nosso objetivo é Construir Pre Escola de qualidade nas comunidades rurais. Estamos iniciando pela província de sofala, estaremos fazendo escolas para a comunidade com a comunidade. Nosso alvo ter mais de 6 mil crianças na idade de 3 a 5 anos das zonas rurais na escola até 2018. Pode saber mais através do nosso blog http://www.familiamatriju.blogspot.com. Patricia Teixeira

  2. Olá !!! Eu continuou em Moçambique com esse desafio de mudar essa realidade, mas preciso de apoiadores, nunca recebi um sinal positivo, pelo menos de querer vir ver o que estamos fazendo aqui em Sofala.
    Não temos medido esforços para avançar… mas se pessoas nos apoiasse seria mais fácil.
    Aguardo contato. meu email: matriju@hotmail.com

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