Infâncias perdidas

Cresce o número de crianças que chefiam famílias e que sofrem com a violência de adultos em Moçambique

Amadurecimento precoce, trabalho infantil e orfandade. Menores sujeitos a vários tipos de violência, originada, em muitos casos, pelo desequilíbrio daqueles que deveriam cuidar, educar e garantir a segurança dessas crianças e adolescentes.

Aqui na África esses temas são recorrentes. E Moçambique, infelizmente, vem aumentando o número dessas aterradoras estatísticas.

Na ausência dos pais, ainda muito cedo, os miúdos (como dizem por aqui) assumem a responsabilidade de cuidar dos seus irmãozinhos mais novos. E pelas dificuldades de sobrevivência, milhares perdem alguns direitos essenciais na vida de qualquer criança, como por exemplo, a educação, a alimentação digna, o lazer, as brincadeiras, os cuidados médicos e a proteção contra possíveis formas de exploração de mão de obra infantil.

Por aqui essas questões são mega sensíveis. De acordo com dados revelados recentemente pela UNICEF, existem aproximadamente 20 mil crianças chefiando famílias no país. Outro dado alarmante que apurei junto à Save the Children é que o número de crianças órfãs vítimas de pais com HIV/AIDS tende a crescer em Moçambique, nos próximos anos. Isso significa que o número de chefes de família menores de idade poderá aumentar ainda mais.

De acordo com a instituição, hoje, são aproximadamente 1,8 milhões de crianças órfãs e vulneráveis no país. E agora, pasme: apenas 20 % destas crianças recebem algum tipo de assistência do Estado.

Desnutrição, êxodo escolar e violência gratuita

Os dilemas infantis mencionados até agora são apenas a ponta do iceberg. Há outros problemas sérios que afetam o desenvolvimento saudável da criança por aqui. Um crônico é a questão da desnutrição, uma das principais causas da mortalidade infantil, ainda hoje.

Estatísticas da UNICEF afirmam que esse problema afeta cerca de 44% do total das crianças moçambicanas, lembrando que o país tem quase 50% de sua população formada por crianças e adolescentes.

Outra situação sem um futuro promissor é o êxodo escolar. Atualmente, segundo a instituição, cerca de 200 mil crianças em idade escolar não têm acesso à educação no país.

Infelizmente, é comum em Moçambique vermos crianças que são obrigadas a abandonar os seus estudos para cuidar das “machambas” (hortas de agricultura familiar), ou ainda,  é recorrente presenciarmos as que deixam de estudar devido a casamentos prematuros (mencionei isso em um post anterior).

Outra coisa que não dá para entrar na minha cabeça: apesar da Constituição da República de Moçambique rezar que toda a criança tem direito a um nome e um registro, ainda existem casos de muitas crianças que sequer tem uma carteira de identidade.

E o pior ainda está por vir: estatísticas do Portal do Governo Moçambicano indicam que nos últimos dois anos foram registrados 8.137 casos de violência contra as crianças em todo o país. Outra dura realidade.

Preocupado com a questão, o Governo Moçambicano, mobilizou esforços para tentar amenizar esse tipo de conflito. E o que foi feito (além de um grande marketing político em torno da questão)? Foi criado um número telefônico de denúncias chamado “Linha Fala Criança”. Esse telefone é um mecanismo para averiguar casos de violência contra a criança. Essa iniciativa, conforme fui informado, já está produzindo alguns resultados. É muito pouco? Talvez, mas não deixa ser alguma coisa.

Se você estiver aqui em Moçambique e quiser denunciar maus tratos contra as crianças é só discar 116. A ligação é gratuita.

Conheça, no vídeo abaixo, algumas crianças da Comunidade de Intaka, no bairro de Zimpeto, em Maputo. São lindas e oxalá tenham uma sorte melhor, sempre!

Gostaria de ajudar algumas das crianças moçambicanas em risco social? Há um “Programa de apadrinhamento” muito legal no país. Clique aqui,  saiba mais e colabore.

Hambanine e até o próximo post!

Fontes de pesquisa:

 Portal do Governo de Moçambique

Unicef – Moçambique

Save the Childen – Moçambique

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