Intercâmbio musical entre Brasil e Moçambique

Encontro de banda brazuca e músicos moçambicanos rende bons frutos

A musicalidade da África é algo incrível e tenho tido o prazer de conhecê-la aos poucos. Esse talento musical africano emana de todas as partes.

Qualquer sítio (lugar como dizem por aqui), é pouso certo para vermos alguém cantando ou tocando algo com muita maestria e naturalidade. E a boa música em Moçambique, afinada ao talento de seus músicos, é um traço marcante do país.

Agora, imagine o encontro desses músicos  locais com a artéria musical brasileira, que pulsa talento o tempo todo? É, foi isso o que presenciei e confesso: foi muito legal.

Recentemente, uma banda brasileira do Estado de São Paulo, chamada “Família Gângsters”, se apresentou em Maputo e pude conhecê-los. Eles ficaram hospedados no mesmo backpacker onde eu estava.

Acompanhei-os nos shows que fizeram no Gil Vicente Café Bar: uma casa noturna tradicional da capital de Moçambique, que funciona de terça à sábado, onde sempre tocam músicos de toda a África. É o point da efervescência musical de Maputo, eu diria.

A banda paulista que tem por base a mescla de sonoridades do regaae, ska, rock e ritmos brasileiros, fez dois shows sensacionais na referida casa. Os membros da banda: Pedro Lobo (vocalista e baixo), Felipe Gomide (bateria), e Marcos Mossi (guitarra), contaram ainda com a participação de alguns músicos moçambicanos no decorrer das duas apresentações. Quer saber mais sobre a “Família Gângsters”? Clique aqui.

Com uma proposta super do bem, transmitindo sempre uma mensagem positiva e idealista, a banda, pelo que pude perceber, busca aproximar-se das diferentes tribos da aldeia global num processo batizado por eles próprios de “familiarismo”: nem à esquerda, nem à direita, o lance é seguir em frente.

A palavra “celebrai” foi algo recorrente que ouvi entre os membros da banda. Daí, já dá para ter uma ideia do que buscam esses garotos de São Paulo. A celebração, a música e a transcendência musical.

Além das apresentações no Gil Vicente, a banda gravou em um estúdio de Maputo três músicas com importantes músicos de Moçambique, donos também de muito talento. As faixas viajam pelas mais diferentes influências e estilos e alguns dos convidados cantam em dialetos locais.

Uma das músicas gravadas foi com o rapper  Azagaia, o maior nome da música de protesto em Moçambique. Nessa faixa, conforme informações do site da banda, há uma crítica às novelas brasileiras e à sociedade consumista.

Outra faixa gravada pela banda brasileira foi com a cantora Lenna Bahule. A música tem uma pegada groove e a composição mesclou ainda influências de “tambores sampleados” do candomblé brasileiro.

Já a última faixa gravada ficou por conta do encontro dos paulistas com o cantor e instrumentista Cheny Wa Gone. A faixa evidencia o som da timbila e da mbira, instrumentos tradicionais de Moçambique.

Parte da composição é um mix da voz do vocalista Pedro Lobo cantando em português junto à voz afinadíssima de Cheny, que canta no dialeto chope. Confira no vídeo abaixo o resultado desse encontro.

Quer conhecer as outras faixas gravadas em Moçambique pela “Família Gângsters”? Basta acompanhar a fan page da banda.

Que o exemplo da talentosa banda de São Paulo fique para outros músicos tupiniquins. Acompanhei um pouco desse intercâmbio entre os brasileiros e os moçambicanos e fiquei admirado com o resultado.

Oxalá tenhamos cada vez mais esse tipo de reunião por aqui. E que não só as novelas, os negócios da Vale do Rio Doce e o idioma nos aproximem de Moçambique, mas também as nossas naturais musicalidades. Assista no vídeo abaixo o que os meninos da “Família Gângsters” andaram registrando por aqui. Muito legal.

 Hambanine e até o próximo post!

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Contagem regressiva: Moçambique é logo ali

“O que?” “Quem?” “Quando?” “Onde?” “Como?” “Por que?”. Tenho reservas em relação a esse formato tradicional de lead, mas vamos a ele, já que esse blog é de um estudante de jornalismo. Por via das dúvidas, preferi usá-lo. (risos) Do contrário, correria um sério risco em ser advertido formalmente por alguns dos mestres do Centro Universitário UNA. E isso não queremos não é mesmo? (risos)

Então, vamos lá: o que? Um blog que conta as experiências de um estudante de jornalismo vivendo na África. Quem? João Paulo Costa (euzinho mesmo). Quando? Em poucos dias. Como? Uma bolsa de estudos de sete meses. Onde? Universidade Politécnica em Maputo, capital de Moçambique. Por que? Leia esse blog com frequência que entenderá em breve. (risos)


Há 10 dias de pisar em novas terras

A aventura em morar na África começa pelo meu envolvimento com a cultura africana que sinceramente, não consigo explicar. Sempre admirei. Sei senti-la e isso me levou a esse novo desafio. Para mim, viver no continente africano significa novas oportunidades de crescimento pessoal batendo à porta (e agradeço a Deus por isso).

Entre a familiaridade nata com a cultura afro  e o interesse em desnudar com meus próprios olhos costumes diferentes dos meus, cá estou me vendo hoje, a arrumar as malas para viver em um pedacinho da mãe África que fala a língua portuguesa: Moçambique.

A partir da vivência em Maputo, queira Deus que eu consiga mirar as Terras de Moçambique para além do que o Sr. Google nos conta, e que você embarque nessa comigo e aprecie. Esse é o intuito desse blog.

O mergulho

O que me espera ? Um choque cultural, novos aprendizados, experiências antropológicas? Um olhar mais sensível? Uma aorta mais humana? Sinceramente, não sei.

Só consigo sentir (agora) o mergulho que quero dar nessas terras.

Creio que o grande lance de mergulhar em algo diverso do que você está acostumado é não saber ao certo o que vai encontrar lá no fundo. E isso me fez lembrar uma frase que aprendi ainda criança: “se deseja saber alguma coisa nessa vida mergulhe nela de cabeça”. Obrigado João Paulo (pai) por me ensinar isso (te amo meu doce guerreiro)

Enfim, a meu ver, o bom de mergulhar é a surpresa. E parafraseando um Marx de barbas vermelhas e empoeiradas, afirmo para você: “a “surpresa” é o motor da história”. Pelo menos da minha “história,” e montado num cavalos de sonhos, África lá vou eu.

Amores cá no Brasil

Ficarão para trás (só geograficamente, porque os levo aonde quer que eu vá) meu pai e mãe amados, minhas irmãs queridas, avós carinhosas, tios e primos companheiros. Ficarão também grandes amigos-irmãos que cativei e minha doce Luisa, pessoinha mais linda que trouxe cores solares para minha vida.

Esses queridos ficarão aqui no Brasil, mas irão comigo para a África em espírito e no coração. Tenho absoluta fé nisso! Fica aqui o meu amor por vocês nesse primeiro post.

Mais perto da inquietude

Para finalizar esse post volto ao título, mas com reticências: “Moçambique é logo ali”… Sim, é logo ali! Perto da imersão, do mergulho e da curiosidade desse estudante de jornalismo inquieto.

Gostaria também de juntar minha voz à García Marquez: “quero dar valor às coisas não pelo que valem, mas pelo que significam”.

Espero que o “Terras de Moçambique” chegue perto disso! De significados. Não só para mim, mas para você também.

Próximos post’s

Continue acompanhando. Nos seguintes trarei detalhes dos preparativos da viagem: trâmites com passaporte, visto, travel card, passagem aérea, busca por um local para ficar e claro, minha chegada em Maputo, cidade que escolhi para esse intercâmbio e que tenho certeza, também me escolheu há tempos.

Até o próximo.