Artesanato sedutor

Conheça um espaço de vendas de artesanato e gastronomia na região central de Maputo

Na capital de Moçambique são diversos os locais onde se pode encontrar o artesanato do país.

As ruas estão cheias de gente vendendo nas esquinas, em lojas e nos mercados espalhados pela cidade. Mas se deseja comprar peças genuínas, de qualidade e a um bom preço, a dica fica por conta de um local superagradável, que agora, apresento para você.

Quer encontrar um artesanato fino e de qualidade? Então, o lugar para você conhecer é a Feira de Artesanato, Flores e Gastronomia de Maputo – FEIMA.

Situada numa região nobre da capital, a feira foi inaugurada em 2010, num projeto que envolveu recursos do Conselho Municipal de Maputo e da Cooperação Espanhola.

A FEIMA como é conhecida por aqui, fica no Parque dos Continuadores e funciona de segunda à domingo, das 9h às 18h.

Nesse espaço amplo você encontra artesanato de todas as regiões do país. Além disso, é possível tomar uma cervejinha acompanhada por pratos típicos moçambicanos. O local é conhecido por ter bons restaurantes e por realizar eventos literários, musicais, culturais e gastronômicos.

Na feira, você encontra para comprar todo tipo de esculturas em madeira, principalmente em pau preto e sândalo.

Há ainda peças de decoração para a casa, trabalhos feitos em palha, roupas típicas moçambicanas, camisetas estilizadas, vestidos e bolsas de capulana, artigos e adereços femininos, quadros pintados a óleo e os famosos “batiks” – pinturas multicoloridas feitas em panos.

“Para se fazer o batik é necessário muito trabalho. Usa-se o pincel com tinta, a cera, a fervura do pano e a secagem”, explica José Antônio Cossa, pintor de batiks.

Segundo Cossa, até um batik ficar pronto é um longo processo. “Geralmente, o pano a ser pintado é esticado numa primeira moldura. Depois de esticado na moldura, usam-se outros panos sobrepostos com tinta e cera em cima.  Nesse momento, se quer  acentuar as linhas dos desenhos da primeira moldura.  Nessa parte do processo de criação do batik, usamos cera fundida que deve descer uniforme sobre essa primeira moldura que é a original. Por último, o “gajo” leva o tecido da primeira moldura a ferver em água quente, para remover a cera e mostrar o desenho desejado. Além dessas coisas, o batik deve ser pendurado para secagem. Tudo isso demora dois ou três dias para cada tela”, afirmou Cossa.

Uma outra curiosidade da FEIMA é que lá é o reduto dos “artesãos maconde”, na cidade de Maputo. Você conhece a arte maconde? Esse tipo de trabalho artesanal é conhecido internacionalmente pelas esculturas em madeira. Essa técnica, nascida há séculos na região nordeste de Moçambique e norte da Tanzânia, é feita por mãos afiadas que trabalham na madeira, principalmente no pau preto.  Assista ao vídeo abaixo que mostra “artesãos maconde” criando suas obras.

Com preços justos e peças bem feitas, a FEIMA, desde a sua inauguração, tem sido cada vez mais visitada por turistas. Mas há quem ande descontente com o lugar. Mesmo apoiados por entidades públicas e privadas, muitos vendedores da FEIMA reclamam da falta de clientes, motivo que leva os artesãos a quererem voltar a vender nas ruas de Maputo. Clique aqui e saiba mais.

Espero que tenha gostado! Hambanine e até o próximo post!

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A Costa do Lixo

Acúmulo de resíduos e o esgoto derramado nas águas da baía de Maputo tem espantado frequentadores da Praia Costa do Sol

Faltando menos de um mês para Maputo completar seus 125 anos (próximo dia 10 de novembro), a cidade, apesar de suas belezas naturais e arquitetônicas que lhe conferem um certo charme, atualmente sofre com problemas que poderiam ser minimizados por maiores cuidados por parte do poder público local e por uma maior consciência de seus moradores.

A capital de Moçambique, em outros tempos, foi  muito admirada por suas belezas naturais, principalmente por sua praia banhada pelo Índico. Por muito tempo, um dos cartões postais da cidade foi a Praia Costa do Sol. A atual Maputo, no entanto, não tem motivos para se orgulhar com o que tem ocorrido com sua principal praia .

A sujeira tomou conta desse ambiente público, o esgoto invadiu suas águas, e tudo isso tem preocupado inúmeros frequentadores, pescadores e comerciantes locais.

Quem navega pela baía de Maputo e caminha nos arredores da Costa do Sol, vê dezenas de resíduos de vários tipos espalhados no mar e na faixa de areia que corta a praia.

São latinhas de cerveja jogadas no chão, preservativos usados, copos amassados, embalagens plásticas de refrigerante, garrafas de vidro quebradas, além de restos de comida jogados no chão.

Em alguns pontos da praia, o cheiro ruim do lixo tomou conta. As barracas da Av. Marginal tem vendido cada vez menos porque a visitação da praia caiu bruscamente, e o comércio naquele sítio (lugar, como dizem por aqui) tem sentido esses efeitos.

Todo esse lixo vem causando uma série de transtornos para quem ainda insiste em frequentar a praia. Conversando com frequentadores e ambulantes que trabalham na Costa do Sol, fui informado de que há vários relatos de usuários que contraíram doenças de pele como micoses, conjuntivite e verminoses.

A verdade é que a Praia Costa do Sol deixou de ser o cartão postal de Maputo, como foi no passado. A paisagem ainda é linda, mas não de todos os ângulos agora.

O que se vê por lá em determinados pontos é um descaso das autoridades em relação à coleta de lixo e a falta de colaboração dos frequentadores. Essas situações têm espantado muita gente da praia.

Ninguém gosta de frequentar uma praia onde sua areia está repleta de resíduos e a água é imprópria para o banho. E a sujeira e o esgoto derramados na Costa do Sol têm sido os motivos principais para diminuir o número de visitantes, além de  atrapalhar o lazer de vários banhistas, espantar a pesca e ainda prejudicar sensivelmente o comércio local.

Maria Luisa Cossa, 38 anos, vendedora de capulanas na Av. Marginal, explica que a sujeira do lugar tem atrapalhado os seus negócios. “Trabalho aqui há mais de dez anos e nunca vi tanto lixo jogado. Hoje, estar a vender oito ou dez capulanas é raro. E a culpa disso é o lixo que está a se acumular por aqui. Essa sujidade não está a permitir que o turista venha e se ponha a gastar com nossos produtos”, afirmou.

A vendedora ainda falou da falta de cuidados do Conselho Municipal (Prefeitura, como chamam por aqui). “Antes, existia uma parceria da Mcel com o Conselho Municipal para limpar a praia. Mas não sei o que aconteceu e a coisa está a parar. Vejo somente carros do Conselho Municipal a recolher o lixo uma vez por semana. Isso é muito pouco”, declarou.

Já a frequentadora da Costa do Sol, Dércia Antônio, 18 anos, culpa os próprios usuários da praia pela sujeira no local. “Sempre estou nesse sítio com minhas amigas. O se vê aqui são as pessoas que frequentam a Costa do Sol a jogar tudo no chão. Faltam ainda lixeiras na praia”, considerou.

De acordo com ela, a consciência da população é um fator preponderante para evitar o acúmulo de lixo na praia. “Nós é que somos os responsáveis por “deitar” (sic) o lixo no chão. Jogar o lixo em um saco plástico estaria a resolver parte desses problemas. É muito fácil por a culpa no Conselho Municipal, que não está a fazer seu papel de limpeza da praia. Mas uma coisa deve ser dita: não é também o Conselho Municipal a “deitar” (sic) o lixo na areia”, ressaltou.

Segundo a vendedora de peixes da Costa do Sol, Maria Amélia, 37 anos, não há lixeiras suficientes na praia. “Fico aqui a vender peixes diariamente. E o que está a me impressionar é que o Conselho Municipal cruzou os braços. Falta-nos mais contentores de lixo e o que peço sempre aos meus clientes é que joguem seus restos de comida nesta sacola, que sempre trago comigo”, relatou.

Além da questão do lixo, outro aspecto negativo é o esgoto jogado na baía de Maputo.

O pescador Albino Vasco, 35 anos, relata que a sujeira da água tem espantado os peixes. “Mesmo na água encontramos garrafas e vidros quebrados. Se calhar para apanharmos camarão e peixes temos que ir muito longe para conseguir. O camarão foge e não dá para apanhá-los”, disse.

Perguntado se há uma mobilização dos pescadores para exigir do Conselho Municipal uma atitude mais eficaz, o pescador respondeu negativamente. “Estamos a tentar conversar com Conselho Municipal sobre isso. Mas não alcançamos bom resultado. A água está cheia de resíduos do esgoto do Hospital Central e das casas por perto. Um problema muito sério para nós que não estamos a apanhar  peixes como antigamente”, denunciou.

Procurado, o Conselho Municipal de Maputo – CMM, não quis se manifestar sobre o assunto. No entanto, há também notícias animadoras.

Há informações de que a Associação Moçambicana de Reciclagem está recolhendo assinaturas para um memorando que deverá ser entregue às autoridades competentes. O que se quer com isso é exigir a imediata limpeza da praia. Clique aqui para saber mais.

Veja na tabela abaixo o tempo de decomposição de alguns materiais encontrados nas areias da Costa do Sol (Fonte: Ecologia.org).

Material

Tempo

Papel

2 a 4 semanas

Palito de Fósforo 6 meses
Papel plastificado 1 a 5 anos
Casca de banana ou laranja 2 anos
Chiclete 5 anos
Latas 10 anos
Ponta de cigarro 10 a 20 anos
Couro 30 anos
Sacos plásticos 30 a 40 anos
Cordas de nylon 30 a 40 anos
Latas de alumínio 80 a 100 anos

Tecido

100 a 400 anos

Vidro

4.000 anos

Garrafas plásticas e pneus

 

indefinido

Enfim, a limpeza pública de uma praia seja em Moçambique, no Brasil ou em qualquer lugar, cabe a todos. É importante lembrar que os frequentadores da praia (visitantes, banhistas e moradores) são também responsáveis por gerar esses resíduos. Oxalá tenham mais consciência a respeito, e o poder público local não faça vista grossa frente a esses sérios problemas do lixo e do esgoto.

Hambanine e até o próximo post!

Uma jovem voz literária

Conheça a história de um jovem escritor, saiba o que é a poesia de combate e ainda fique por dentro da realidade de quem começa a escrever em Moçambique

Antes mesmo de nos cumprimentarmos e iniciar a entrevista, ele perguntou ainda quando descia de seu carro: “quantos jovens hoje não tem livros em casa? Aqui e no Brasil?” Essa foi a pergunta feita por meu entrevistado assim que pisou à porta do Restaurante Zambézia, na Av. Mao Tse Tung.

Ele já chegou aguçando os meus sentidos, pensei naquele momento. Preferi não responder a pergunta que me surpreendeu. Mas meu silêncio foi reflexivo naquele instante. Passados alguns minutos, objetivei minhas intenções e seguimos sem perceber a rota de uma entrevista tranquila que, para mim, mais pareceu um papo entre amigos de longa data.

Lucílio Manjate é um jovem escritor moçambicano, tem 31 anos e ministra aulas de Literatura Moçambicana e Literatura Geral Comparada pela Universidade Eduardo Mondlane – UEM (maior universidade do país).

Ele aceitou contar um pouco de sua história para o “Terras de Moçambique”, falar sobre a Poesia de Combate tão presente na literatura do país, e ainda traçar um quadro dos desafios de um jovem escritor a caminhar pelas pernas da literatura.

O jovem contista

O seu gosto pela literatura começou ainda criança quando Manjate chegava da escola e se deparava com seu pai sempre a ler. “Para eu passar do meu quarto para a sala de banho (como os moçambicanos nomeiam o “banheiro”), passava na porta do quarto de meu pai e pela porta que sempre ficava aberta, o via a ler livros. Isso para mim, é uma inspiração literária que se consolidou”, confessou o contista.

Contando-me sua história deixou escapar que ver seu pai lendo diariamente o inquietava. “Sempre me perguntava o que meu pai estava a ler no quarto. Até que um dia aproveitei que ele tinha saído para trabalhar e fui lá ter com o fruto de suas leituras. E lá eu descobri “a poesia de combate”. E isso fez toda a diferença em minha formação”, afirmou.

Quando vivia em Matola ele descobriu sua vocação literária. “Um dia estava a tomar banho eu recitei dois versos. Quando me percebi a recitar versos que eram meus, sai em disparada da casa de banho para o quarto. Mal enxuguei pus-me a escrever. Desses dois versos me nasceram cinco poemas. Pronto, pensei. Estás a nascer. Foi assim”, relatou eufórico Manjate.

Ele escreveu três livros e já está no processo de criação da quarta obra. O contista começou a escrever em 1996. No ano de 2005, já com três livros escritos aguardando a hora da publicação, decidiu participar do primeiro concurso literário de sua vida. O primeiro livro foi denominado “Manifesto”, o segundo tem o título de “O silêncio do narrador” e o terceiro foi chamado de “O contador de palavras”.

Já no ano seguinte, em 2006, o contista participou da 6ª edição do concurso da TDM – Telecomunicações de Moçambique de revelações literárias e venceu na modalidade de contos com a obra “Manifesto”. “Ali, naquele momento, foi muito marcante, porque determinou todo o trabalho literário subsequente”, afirmou Manjate.

Em 2008, o jovem escritor participou do “Concurso Literário 10 de novembro” (nessa data comemora-se o aniversário da capital de Moçambique), promovido pelo Conselho Municipal de Maputo em parceria com Associação dos Escritores Moçambicanos. E ele levou o prêmio também na categoria de contos com o livro “ O silêncio do narrador”.

Depois de vencer esses dois concursos, Manjate, já com as portas abertas para o mercado, publicou seu terceiro livro: “O contador de palavras”, por uma editora renomada em Moçambique.

No vídeo abaixo Manjate fala sobre o seu último livro.

Quer conhecer um pouco mais do “Contador de palavras” de Manjate? Clique aqui.

A influência de uma poesia de guerra

Na entrevista com o contista pude descobrir parte de suas referências literárias. Uma nuance interessante de suas referências é a Poesia de Combate produzida pelos combatentes moçambicanos na época da Independência do país. “A magia dessa poesia é o apelo libertador que ela tem. Na própria linguagem textual os versos de combate obrigam que tu imprimas uma voz forte na dicção. E eu comecei lendo os textos em voz alta e sentia-me forte por dentro. Algo me tocava”, confessou.

Não me aguentei e perguntei: se hoje você desponta como um jovem contista e uma expressão interessante da literatura em seu país, foi graças a esse contato com a poesia de combate ainda na sua adolescência? Ele me olhou nos olhos, respirou fundo e disparou um “sem dúvidas”, seco e incisivo.

Soltei mais outra para provocar: você acha que esse é um traço marcante do poeta moçambicano de um modo geral? “Nunca parei para pensar nesse assunto, mas se calhar há um diálogo estético com a poesia de combate. Há um certo culto e respeito por ela e alguns autores banham-se nessas águas históricas”, respondeu.

Quer saber mais sobre a Poesia de Combate? Clique aqui.

Concursos literários X Mercado Editorial

Não é fácil para quem está começando na literatura encontrar patrocínio para editar as suas primeiras obras, disso todos sabemos. Mas quis saber um pouco dessa realidade em Moçambique.

Segundo Manjate, o investimento que se faz à cultura e à educação de uma forma geral é escasso, e um mecanismo facilitador aos escritores são os concursos literários. “Geralmente, os concursos literários são para a revelação de novos talentos. Tenho a impressão de que no ano de 2000 é que temos uma avalanche dos concursos no país. Eu já tinha três livros escritos, mas não conseguia publicar nenhum. Levei inclusive às editoras e o que elas disseram foi que para editar era necessário buscar um patrocínio. E veja a problemática: como é que eu vou buscar um patrocínio se eu sou jovem e não sou conhecido ainda? É muito difícil. Portanto, os concursos literários de alguma forma estão a tapar essa lacuna e a possibilitar que novos taletos surjam”, ressaltou o contista.

Com pouco incentivo por parte do Estado, as empresas privadas passaram a ter um papel fundamental no patrocínio. “Nós estamos a falar de um mercado aberto, competitivo com empresas querendo se impor. Portanto, as grandes empresas tendem a patrocinar os concursos literários ou a edição de obras literárias que são vencedoras na categoria revelação nos concursos aqui em Moçambique”, afirma Manjate.

De acordo com o jovem escritor há também problemas em relação aos concursos literários bancados pelas empresas. “Na maioria das vezes, os concursos preconizam o incentivo ao hábito de leitura, o estímulo à criação artística e rezam que as empresas patrocinadoras do concurso devem pagar a publicação da obra vencedora e disseminar a distribuição do livro. Mas como explicar que uma empresa queira apenas pagar pela publicação e distribuição de 500 exemplares? Isso é muito pouco. Esgota-se isso já em Maputo e o obra não chega a outros cantos do país. As empresas se calhar estão mais preocupadas com a imagem delas e não de fato com a emancipação da leitura ou na divulgação de uma obra vencedora de um concurso”, denunciou Manjate.

De acordo com o contista os concursos são um mecanismo que auxilia quem está começando na literatura, mas ainda é uma retórica vazia para um país do tamanho do Moçambique. “Os concursos, geralmente, são nacionais. O problema talvez fique por conta de escritores de outras regiões fazerem chegar o seu original a Maputo, para que seja avaliado pela comissão julgadora do concurso. Porque nos concursos é exigido a apresentação do texto original. A maioria dos concursos fica muito direcionada à produção literária de autores de Maputo, infelizmente. Salvo no concurso anual do Fundo Nacional do Desenvolvimento Artístico Cultural – Fundac (concurso patrocinado pelo Ministério da Cultura de Moçambique), onde os concorrentes podem entregar os originais nas direções provinciais do concurso, que se encarregam de fazer chegar os originais a Maputo”, elucidou.

Em Moçambique se vive da literatura?

“Não se vive do ponto de vista do escritor. Escrever é quase uma penitência”, afirmou Manjate.

Segundo o contista, o escritor que está começando a carreira literária em seu país fica num segundo plano. “Em Moçambique os autores tem seu espaço de prestígio. Mas para boa parte a literatura ainda é um lugar utópico de debate e de construção de ideias. Para o escritor é uma coisa. Mas do ponto de vista do editor, a coisa muda de figura. Um editor que diz que vai editar o seu livro o faz efetivamente. No entanto, antes, angaria patrocínio para o seu livro junto a uma empresa privada e vende a sua obra pelos olhos da cara. E sabe quanto fica para o criador da obra? Apenas 10% do valor do livro vendido. Salvo em algumas exceções, onde o autor é muito badalado, já publicou várias obras e vai ganhar mais que esses 10% normalmente pagos”, declarou.

Não me segurei e perguntei a opinião sincera do contista sobre a questão. “Acho que o escritor moçambicano já se contentou com isso. Com o autor só ficam os valores simbólicos e sentimentais. Mas esse problema, falo sem medo de errar, não é apenas de Moçambique. Outros países sofrem com isso também”, afirmou Manjate.

O celular dele tocou. Já era hora do contista ir dar suas aulas de literatura. Chegava ao fim a entrevista, mas antes, Manjate finalizou: (…) “o que devemos nos ater é que a literatura em Moçambique é um contínua construção da memória coletiva de nosso país. Está a resgatar a nossa essência, discute-se a identidade, mas não podemos parar por aqui. Devemos ler essa memória aliada aos embates do nosso presente que bem pode ser o sistema opressor que está a degradar-nos pelo consumismo. Hoje o mundo vive para ter, e não para ser. Esse é o caminho de discussão que estou a imprimir em meus contos e faço com muito gosto”, declarou.

Quer saber mais sobre os livros de Manjate e o que ele pensa sobre a literatura em Moçambique? É só clicar no player abaixo.

 

A verdadeira lata de sardinha ambulante

Transporte público na capital de Moçambique é sinônimo de desrespeito

O transporte coletivo é parte essencial de uma grande cidade. Falei o óbvio, não? Mas aqui em Maputo o buraco é mais em baixo.

De acordo com uma matéria de um jornal de Moçambique, O País, a capital Maputo “tem um crescimento populacional de 1,2 por cento por ano. Segundo os resultados do Censo Geral da População e Habitação, a cidade contava com 1.094.315 habitantes em Agosto de 2007”, ou seja, a população tem crescido a cada ano e os serviços de  transporte coletivo não têm acompanhado o ritmo. Quer saber mais sobre isso? Clique aqui.

Me indignar com o que vejo os moçambicanos passando e sentir esses problemas do transporte público em Maputo na pele (afinal, sou também um usuário), me motivou a escrever esse post. Dos muitos lugares que conheci, talvez Maputo seja a cidade que mais sofre com o descaso político em relação ao transporte coletivo. Nem em La Paz, capital caótica da paupérrima Bolívia, percebi tantos problemas.

Para falar a verdade, acho que Maputo não tem de fato um sistema de transporte público. A TPM é uma TPM mesmo. A responsável TPM (Transportes Públicos de Maputo) está de brincadeira com a população.

O que vejo aqui é uma humilhação diária que os moçambicanos enfrentam. Bixas (filas, como dizem por aqui) intermináveis e preços altos dos “chapas” (van, no dialeto changana) que não condizem com a realidade do serviço prestado. Tudo isso é apenas a ponta do iceberg. Assim como em qualquer grande centro urbano no mundo, os moçambicanos  dependem diretamente do transporte coletivo para ir ao trabalho, ao médico, para a ir à escola, entre outros destinos.

A  dificuldade de locomoção da população por aqui beira o absurdo. Todos sabemos que os transportes públicos em um metrópole são fundamentais para levar as pessoas de um ponto a outro na área dessa grande cidade. E aqui não há ônibus (poucos, na verdade) ou metrô que prestam serviços minimamente decentes, como estamos acostumados em nosso país. Acha o transporte público ruim no Brasil? Experimente vir para Maputo (risos).

O transporte coletivo é feito na maioria esmagadora das vezes pelos “chapas” e o desconforto, as más condições dos veículos e a superlotação incomodam muito os usuários. Não se respeita o número máximo de passageiros dentro dos veículos e quando todos entram, vejo dezenas de passageiros ficarem com o bumbum para fora  e outros sentados na janela. Cinto de segurança? Ah, nem sei se existe isso para quem pega os “chapas”.

Na capital de Moçambique não há ônibus coletivos que ligam o centro aos bairros e os bairros ao centro. O que a população utiliza por aqui são essas vans de 15 lugares. Dependendo do horário você pode entrar numa van de 15 lugares e se deparar com  mais de 25 moçambicanos espremidos como sardinhas dentro de uma lata motorizada.

Uma cartilha politicamente correta daria conta de que o meio de locomoção coletivo de uma grande cidade deve propiciar aos munícipes condições plenas de se locomover, garantindo o seu direito de ir e vir. Ela poderia mencionar a luta por uma melhor qualidade de vida para a população, traduzida por condições de transporte dignas, com segurança e acessibilidade. Poderia ainda intencionar uma rede de transportes integrada e eficiente para o povo.

Só que aqui o “maputense” fica a ver “chapas” lotados, apressados e que não o atendem. Os veículos são superantigos e os motoristas despreparados dirigem como se estivessem dentro de um fórmula 1. Detalhe: muitas dessas vans que transitam em Maputo sequer tem a documentação regularizada junto aos órgãos próprios.

Debates pertinentes ao transporte público são sempre bem vindos em qualquer grande centro urbano do mundo, mas no caso de Maputo, acho difícil se chegar a uma conclusão precisa. Aqui, como na maioria das metrópoles brasileiras, o transporte coletivo é caótico. Além do tráfego intenso de automóveis, vias pouco sinalizadas, esburacadas e semáforos que não se entendem, a capital de Moçambique sofre com a falta de cuidados por parte do poder público.

Pelo que apurei, o transporte coletivo é um dos serviços mais criticados pelos moradores de Maputo. E não é difícil entender o porquê disso, concorda?

Estimativas do Conselho Municipal

Chapas desconfortáveis e em más condições, motoristas que não param nos pontos e desrespeito aos horários são as críticas mais recorrentes.

Pensando nisso fui até a “Direcção Municipal de Transporte e Trânsito” de Maputo, órgão responsável pelo trânsito na capital vinculado ao Conselho Municipal (entenda Prefeitura), para falar com o responsável. O chefe desse departametno não se encontrava no gabinete durante toda a tarde que esperei e os funcionários não quiseram se manifestar sobre o assunto. Lá obtive apenas dados interessantes que mostro a seguir.

De acordo como o órgão que cuida do trânsito, “o número estimado de passageiros transportados durante o mês pelos operadores de transportes coletivos cadastrados é de 2,870.640 passageiros”.  Pensei comigo: e os que não estão cadastrados? Bom, deixa isso para lá. Mas a verdade é que esse número é bem maior.

Veja abaixo o que pensam alguns usuários de chapa e chapeiros em Maputo.

Usuários:

Simião Alberto, 25 anos, comerciante informal. É morador do bairro de Zimpeto. 

“Deve mudar a atitude dos cobradores e dos motoristas, porque há muitos chapas, mas não há seriedade por parte deles. Eles encurtam as rotas e não chegam aos terminais. Isso provoca um grande fluxo de pessoas e bixas enormes. (…) penso que o município deve entrar em contato com os motoristas para sensibilizá-los a mudar de comportamento, porque sofremos muito quando há fluxo de pessoas nas paragens e tem aparecido oportunistas que furtam nossos bens. Os chapeiros encurtam a distância sempre. Como eu não tenho carro pessoal e moro longe, a minha deslocação depende dos chapas e só através deles chego ao meu setor de trabalho.

(…) o preço dos chapas é razoável. O que tem acontecido é que acabamos gastando mais em relação ao valor simbólico marcado devido as ligações que fazemos diariamente. Para chegar ao Museu saindo de Zimpeto subo três chapas e diariamente gasto 25 meticas”.

Isabel Fernando, 42 anos, doméstica. É moradora do bairro de Kongolote. 

“É difícil subir chapa. Diariamente para chegar em casa tenho de me sacrificar e entrar em qualquer chapa. Fico mais de 40 minutos a espera de chapa todos os dias. Apesar de existir muitos chapas para chegar em casa subo dois ou três chapas e em média gasto 30 meticais. O serviço só não é melhor porque falta planejamento. (…) o valor pago acho justo, mas nos tratam mal”.

 

Lucas José Cosabla, 52 anos, contabilista. Trabalha na Câmara do Comércio de Moçambique. É morador no bairro da Machava Socimol. 

“Tudo deve mudar porque diariamente tenho ficado duas horas a espera de chapas. Estou aqui a mais de 35 minutos a espera do transporte e até agora nada. Os motoristas devem parar de encurtar as rotas. O que acontece é que, por exemplo, os chapas que deviam ir a Machava Socimol nunca chegam até o destino final.

(…) para chegar em casa tenho de fazer outras ligações de chapas ou caminhar a pé até a minha residência, porque os chapas encurtam as rotas. Mas ainda acho  o valor dos chapas justo, tendo em conta o preço dos combustíveis e os custos de manutenção”.

 

Alice José Cuna, 20 anos, estudante da Escola Secundária Josina Machel. É moradora do bairro Ferroviário.  

“Tem muitos carros, mas não circulam devidamente. Por dia subo quatro chapas, dois a ir a escola e dois a voltar. Com isso, gasto 20 meticais por dia quando só devia gastar apenas 10 meticais. Por que? Porque os motoristas encurtam as distâncias e não chegam até os terminais. Pela distância que os chapas andam, o valor do chapa ainda é justo, mas sofremos, tem vezes que não abrem as cadeiras para sentarmos, somos sujeitos a viajar de pé e apertados. O chapa não é confortável, as cadeiras tem lugar para três pessoas, mas sentam quatro, nos chapas maiores nem sentamos. Numa chapa que comportam 15 pessoas são transportadas 25, 30 pessoas. Apertados como em uma lata de sardinhas”.

 

Chapeiros:

Um chapeiro não quis se identificar. Mas falou abertamente sobre a questão.

“Faço a rota do Museu-Massaroca. O horário de pico é na parte da manhã e no final da tarde. Acho um pouco difícil nos darmos com os passageiros, porque cada um tem sua maneira de pensar e de reagir.

Os preços do chapa são relativamente baratos. A pessoa que pega o chapa daqui para o Benfica, por exemplo, paga 7,50 meticais. Mas há outros que descem por exemplo no Jardim e pagam 5 meticais. Para mim o preço ainda está bom.  Acredito que se não houvesse o chapa iria haver muita dificuldade de circulação de passageiros em Maputo. Desde que trabalho como chapeiro, já me deparei com policiais um pouco chatos né, que não parecem racionais de vez em quando e se aproveitam da situação difícil no trânsito. Ficam sempre a extorquir dinheiro de nós motoristas”.

João F. Mateus, 40 anos, chapeiro há 9 anos.

“Os chapeiros tem muitos problemas. Temos tido problemas com engarrafamentos e com a tarifa paga que é um pouco baixa. A rota que faço e T3-Museu. Ultimamente, não tem hora morta, sempre muito trânsito e movimento.

Levando em conta o vencimento das pessoas as tarifas são até baixas e correspondem. Temos tido problemas com a polícia, em qualquer esquina tem polícias e você pode estar certo com todos os documentos que eles sempre arranjam algum problema.

(…) ser chapeiro não é rentável, quando faço as contas no final do mês vai me sair uns 25.000 meticais. Desses 25.000 gasto uns 7.000 com a revisão do carro, tenho que comprar pneus e tenho que pagar o trabalhador que cobras tarifas. No final, chego a ficar com uns 6000/7000 meticais por mês. Não é sempre muito rentável”.

Os cadeirantes não tem vez

Já andei bastante pelas ruas de Maputo e quase não vejo cadeirantes nas ruas. As ruas são queijos suíços (sem exceções), repletas de obstáculos. Quando penso nisso me revolto e fico a me perguntar: como um cadeirante transita por aqui? Não, ele não transita. Essa é a verdade.

Não há pontos de chapas descentes para quem tem dificuldade de locomoção, e imagine colocar um cadeirante dentro de um chapa lotado até na tampa? Não dá. Ponto. Triste constatação. E as autoridades competentes nisso tudo? Bom, devem estar tomando um chazinho gelado no Hotel Polana e com certeza não devem ter ninguém na família que é cadeirante ou deficiente visual.

Transitam apenas dentro de seus carros de vidros escuros com ar condicionado ligado e, com olhares indiferentes não percebem a dificuldade dos moçambicanos. Ponto.  Outra triste constatação.

Como você vê é difícil mudar esse quadro tendencialmente negativo. Mas para além desses problemas apresentados, tenho que mencionar  que me incomoda também  a resignação dos moçambicanos. Há um conformismo generalizado quanto a isso que me assusta.

Confira abaixo algumas das rotas de chapas em Maputo, Matola, Marracuene e Boane:

Terminais em Maputo: Museu, A. Voador, Xipamanine, Hulene, Malhazine, Benfica, Albazine, Zimpeto, P. Combatentes, Costa do Sol, Matendene, Magoanine, Drive In, B. Jardim, Laulane, Baixa – Praca dos Trabalhadores e Oliveiras.

Terminais em Matola: Zona Verde, Machava-Benede, Machava-Socimol, Machava-Sede, Liberdade, Patrice Lumumba, Congolote, São Damanso, Padaria Boane, Malhampswene, Km -15, Nkobe, Mapandane (1º de Maio), Licuacuanine (Khongolote), T3, João Mateus, Fomento, Cidade da Matola, Matola “C”, Tchumene, Intaka, Singathela, Boquisso, Matola-Gare e Unidade “J”.

Terminais em Boane: Boane, Namaacha, Bela Vista, Changalane, Catuane, Massaca, Saldanha, Goba, Mafuiane, Matola Rio, Salamanca, Estevel e Rádio Marconi.

Terminais em Marracuene: Mateke, Muchafutene e Gwava.

(Mc) = Marracuene           

(Mt) = Matola                                    

(B) = Boane

             De        Para      Via

 

Museu

Xipamanine

Marien Ngobi

 

Museu

Albazine

Praça dos Heróis

 

Museu

Hulene

Praça dos Heróis

 

Museu

Hulene

E.Mondlane/Av de Angola

 

Museu

Laulane

E.Mondlane/Av de Angola

 

 

Museu

Laulane

E.Mondlane/Av de Angola

 

Museu

Magoanine

E.Mondlane/Av de Angola

 

Museu

Magoanine

E.Mondlane/Av de Angola

 

Museu

P.Combatentes

H.Central/Praca O.M.M

 

Museu

Malhazine

Benfica

 

Museu

Malhazine

Marginal/Oliveiras

 

Museu

Matendene

Benfica

 

Museu

Zimpeto

Benfica

 

Museu

Zimpeto

Marginal/Oliveiras

 

A. Voador

Xipamanine

G.Popular/E.Mondlane

 

A. Voador

Costa do Sol

E.Mondlane

 

A. Voador

P. Combatentes

Kar Max/V.Lenine

 

A. Voador

P. Combatentes

Praça dos Heróis

 

A. Voador

Hulene

Praça dos Heróis

 

A. Voador

Hulene

Praça dos Heróis

 

 

A. Voador

Albazine

Praça dos Heróis

 

A. Voador

Albazine

Praça dos Heróis

 

A. Voador

Magoanine

E.Mondlane/Av de Angola

 

A. Voador

Malhazine

E.Mondlane/Av de Angola

 

A. Voador

Malhazine

E.Mondlane/Av de Angola

 

A. Voador

Benfica

Marginal/Oliveiras

 

Xipamanine

Hulene

Av de Angola

 

Xipamanine

Drive In

A.v de Angola

 

P.Combatentes

Benfica

Hulene/Malhazine

 

Costa do Sol

B. Jardim

Marginal/Oliveiras

 

Zimpeto

Cidade da Matola (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Zimpeto

Machava Socimol (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Zimpeto

P. Boane (B)

Marginal/Oliveiras

 

Zimpeto

Singathela (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Zimpeto

Singathela (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Benfica

Liberdade (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Benfica

1º de Maio (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Benfica

Inataka (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Benfica

Boquisso (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Benfica

Mapandane (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Malhampswene (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

P. Lumumba (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

P. Boane (B)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Fomento (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Liberdade (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Matola C (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Machava Socimol (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Cidade da Matola (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Nkobe (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Unidade H (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Junta

Cidade da Matola (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Junta

P. Boane (B)

Marginal/Oliveiras

 

Junta

Liberdade (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Junta

Machava Socimol (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Malhampswene (Mt)

Cidade de Matola (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Malhampswene (Mt)

Mozal (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Malhampswene (Mt)

Thcumene (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Malhampswene (Mt)

Boane (B)

Marginal/Oliveiras

 

Cidade da Matola (Mt)

P.Lumumba (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Cidade da Matola  (Mt)

P.Lumumba (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Cidade da Matola (Mt)

Liberdade (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Cidade da Matola (Mt)

Nkobe (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Cidade da Matola (Mt)

Khongolote (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Matola C (Mt)

Michafutene (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Matola-Gare (Mt)

Machava-sed (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Matola-Gare (Mt)

Tenga (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

T.3 (Mt)

Matlemele (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

T.3 (Mt)

Licuacuanine (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Liberdade (Mt)

Mulotane (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

P. Lumumba (Mt)

Nkobe (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Tsivene (Mt)

Boquisso (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Muhalaze (Mt)

Drive-in (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Machava (Mt)

Mozal (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Matendene (Mt)

Singathela (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Mavoco (Mt)

Unidade J (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Namaacha (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Bela Vista (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Changalane (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Catuane (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Massaca (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Saldanha (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Goba (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Cèlula (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Mafuiane (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Salamanca (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Estevel (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Radio Marconi (B)

Marginal/Oliveiras

 

Matola Rio (B)

Maputo

Marginal/Oliveiras

Espero que tenha gostado. Hambanine e até o próximo post!