Dedinho brasileiro na Unicef Moçambique

Saiba mais sobre o trabalho da Instituição e conheça os desafios de uma brasileira a trabalhar em prol da proteção das crianças no país

Em tese, todo país deveria oferecer instrumentos legais e eficazes para a proteção das crianças, que muitas vezes, no decorrer de seu desenvolvimento e crescimento, ficam expostas à criminalidade, à violência por parte dos adultos, ao abuso sexual e à exploração.

Nem preciso mencionar que esses abusos infantis agigantam-se em contornos globais. E na África, talvez essa questão seja ainda mais crônica, com tons cinzentos e obscuros. Aqui a coisa é pesada: em Moçambique, infelizmente, não é diferente.

Pensando nisso, quis trazer para você um pouco do trabalho de uma organização mundial  reconhecida pelo enfrentamento das questões que ferem os direitos das crianças. Fui ao escritório central da Unicef Moçambique. Mas antes de contar o que vi por lá, gostaria de perguntá-lo (a): já ouviu falar ou conhece a Unicef e o trabalho que ela desenvolve?

Quando você pensa nesse nome, “Unicef”, talvez venha à sua cabeça a figura do Didi dos Trapalhões (Renato Aragão), que é Embaixador da organização no Brasil, e também se puxar pela memória, ainda se lembre do Criança Esperança da TV Globo, que acontece uma vez por ano.

Sim, no Brasil, a Unicef fomenta ações voltadas às crianças. Mas essa organização não faz só pelo nosso país, suas atividades vão muito além. Ela atua em vários países e mobiliza ações sociais voltadas às crianças em todo o mundo.

A história da organização começa em 1946, quando foi criada pelas Nações Unidas para ser um mecanismo de auxílio às crianças que ficaram órfãs pela guerra na Europa. Desde então, tem ganhado corpo e vem intermediando conflitos em várias partes do globo, principalmente quando envolvem problemas relacionados à proteção dos direitos da criança e do adolescente.

Na organização trabalham mais de 7.000 pessoas e em Moçambique são cerca de 120 funcionários. O Dr. Roberto de Bernardi, Representante Adjunto da Unicef – Moçambique, explica que no país a organização atua em várias esferas. “Atualmente, trabalhamos com a saúde e nutrição das crianças, trabalhamos para melhorias na água e saneamento das comunidades, temos um olhar para a educação infantil, buscamos implementar instrumentos mais eficazes para a proteção da criança daqui e ainda realizamos parcerias para implementar políticas sociais positivas à população”, ressalta.

A instituição, valendo-se de parcerias internacionais em Moçambique, ainda mobiliza recursos financeiros para conseguir resultados no desenvolvimento infantil,  na educação básica, no combate a AIDS e na promoção de alianças junto ao governo local.

Quer saber mais sobre o trabalho da Unicef em Moçambique? Clique no player abaixo e ouça a entrevista com o representante da organização no país.

Brasil nas fileiras da Unicef 

A Unicef Moçambique conta com mão de obra brasileira em seu escritório em Maputo. Você sabia disso? Tem dedinho brasileiro por lá também.

São atualmente três mulheres que coordenam vários projetos. Conforme informações, elas se revezam trabalhando administrativamente para a Instituição e fazendo trabalhos de campo voltados aos problemas enfrentados pelas crianças no país. Auxiliam também nas áreas jurídica e de comunicação.

Uma delas é a mineira Mariana Muzzi, natural de Mariana/MG. Muzzi é  formada em Direito e em Ciências Políticas. Suas especializações são na área de Direitos Humanos e Saúde Pública, o que a levou a trabalhar na Unicef. Ela atua pela Instituição há nove anos. Começou no Peru e logo foi trabalhar na Bolívia. Depois foi convidada a ajudar no escritório de Nova Iorque e de lá foi trabalhar na Índia.

Após o terrremoto do Haiti, Muzzi se deslocou para aquele país para realizar um trabalho com foco na assistência das crianças que ficaram órfãs pela catástrofe natural ocorrida. Terminados os seus trabalhos no Haiti ela veio para Moçambique, onde está há dois anos militando na área de proteção da criança e combate ao abuso sexual infantil.

Perguntada sobre a eficácia das Leis de Proteção às Crianças em Moçambique, Muzzi foi enfática. “Aqui temos uma lei similar à lei brasileira, o nosso Estatuto da Criança e do Adolescente – o ECA. Enquanto vimos o ECA em nosso país atingir sua maioridade tanto pela data de criação como por uma certa eficácia, as leis moçambicanas voltadas às crianças e adolescentes são ainda muito recentes. Similar ao ECA temos aqui a Lei de Bases de Proteção da Criança,  e a Lei de Organização Tutelar de MenoresMas, infelizmente, essas leis por aqui têm apenas quatro anos e ainda estão em processo de consolidação. Há todo um trabalho que ainda deve ser feito junto ao Governo, à polícia, aos magistrados e juristas do país, para que coloquem de fato em vigor essas leis. E esse é um dos papéis da Unicef e meu trabalho caminha a favor disso. Ou seja, ajudar na consolidação dessas leis de proteção”, ressalta.

Uma semana típica de trabalho de Muzzi pela Unicef inclui muito trabalho de campo, conferências e encontros com representantes do Governo Moçambicano. Segundo a brasileira, a Unicef vem sistematicamente criando ciclos de debates mobilizando sociedade civil, instituições públicas e Governo. Esses encontros têm o objetivo de sensibilizar esses organismos aos problemas enfrentados pelas crianças. “Para você ter uma ideia, essa semana estamos trabalhando junto aos magistrados moçambicanos e dando palestras sobre a importância de se avaliar medidas alternativas para menores que se encontram em conflito com as leis. São muitos desafios até chegarmos ao ponto de dizer que as crianças e adolescentes nesse país são respeitados”, afirma Muzzi.

De acordo com ela, falta formação  e consciência em relação às problemáticas das crianças. “No país há milhares de casos de abuso sexual infantil e desrespeito aos direitos das crianças. Só que esses casos ainda não chegam até a justiça. Então, a gente tem que construir cada pedaço do quebra-cabeças para que as leis de proteção às crianças sejam colocadas em prática. Trabalhamos com formação de vários setores moçambicanos, que vai desde a preocupação com a Medicina Legal no país, campanhas de comunicação junto ao Ministério da Justiça de Moçambique, campanhas em escolas e sensibilização de rádio e TV.  Temos que fazer tudo isso para criar uma estrutura sólida de proteção dos direitos das crianças por aqui”, declara a especialista.

Para além das atividades de conscientização de organismos e instituições moçambicanas, Muzzi destina seu tempo também ao trabalho de base junto às famílias e comunidades. “Vamos até as famílias e escolas para falar sobre a importância de se cuidar melhor das crianças. Temos jogos educativos para crianças e professores, que alertam quanto aos maus tratos infantis e que ensinam o que fazer quando algo ruim acontecer. Firmamos também parcerias com rádios comunitárias e distribuímos conteúdo informativo sobre a questão”, disse.

Perguntei a ela o que vislumbra para o futuro e a eficácia das leis de proteção às crianças e adolescentes no país e, mais uma vez a funcionária da Unicef foi categórica. ”Gosto de trabalhar aqui e temos atingido os resultados esperados. Mas acho que ainda falta uma participação maior da sociedade civil em relação à questão. Vejo ainda pouca mobilização dos segmentos sociais em relação às crianças e aos problemas que envolvem o universo delas. Falta as pessoas se ultrajarem com os maus tratos sofridos pelas crianças. Falta as pessoas não acharem que é normal ver uma menina de treze anos grávida”, ressaltou.

Depois daquela resposta ainda insisti. Você acha que as coisas tendem a melhorar? “Tenho uma sensação de força e esperança. Hoje, vejo uma participação maior das pessoas e um certo movimento para  a melhoria das coisas. E acho que num futuro próximo poderemos dizer que: sim, as crianças daqui vivem com dignidade”, finalizou.

Quer ouvir na íntegra a entrevista com a brasileira? É só clicar no player abaixo.

Em Moçambique, não existem dados nacionais abrangentes sobre os níveis de violência e abuso de crianças, mas fica o alerta. Oxalá esse país cuide melhor de seus “miúdos” (como o moçambicano se refere às crianças por aqui).

Continue acompanhando o blog! Em breve, você vai ver por aqui mais matérias sobre essa temática. Hambanine e até o próximo post!

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Educação pré-escolar é uma necessidade

Governo e sociedade civil tentam implantar mecanismos de aprendizagem na primeira infância

Um Estado quebrado com um abismo educacional que começa na tenra idade e vai até o ensino superior.

Uma vontade política quase inexistente e uma aceitação passiva da população. Pouca infraestrutura e escassos investimentos de recursos na área da educação e desenvolvimento humano.

Faltam escolas e faculdades públicas que atendam a demanda da população. E necessita-se, urgentemente, de uma melhor capacitação de profissionais na área de educação para dar conta do recado.

Dito isso, alguém poderia estar pensando que estou falando do Brasil, não? Pois é. Não falo do Brasil, mas bem que poderia ser.

Tão maior ou igual aos problemas enfrentados nas terras tupiniquins, a República de Moçambique também sofre com isso. Essa é a dura realidade enfrentada pelos moçambicanos que, muitas vezes, sequer têm escolas próximas às suas localidades. Infelizmente, o Estado ainda não consegue gerir esses problemas e tomar atitudes potencialmente positivas para beneficiar a população nesse sentido.

Desde a sua independência há 36 anos, Moçambique lida com um gigastesco vazio na área da educação, salvo no início da década de 80, onde o país progrediu educionalmente de uma maneira significativa.

Vislumbra-se um quadro mais promissor num futuro próximo para Moçambique? Alguns professores e profissionais envolvidos com a educação no país dizem que sim, outros afirmam que não.

Controvérsias à parte,  percebo que há algumas iniciativas por parte do Estado e sociedade civil visando alterar esse quadro. Uma “luzinha” no fim do túnel, eu diria. Juntos, esses atores sociais desejam incluir a educação para crianças na fase pré-escolar e ainda fomentar debates sobre uma maior atenção à educação de um modo geral.

Tão importante quanto implementar ferramentas educacionais eficazes para adolescentes e adultos, a educação infantil passa a ser um dos focos do país e um dos maiores objetivos do milênio, de acordo com alguns professores da Politécnica.

Resta saber se essa vontade que se percebe por parte da FRELIMO (Governo Moçambicano) gerará resultados eficazes, principalmente para as crianças. A verdade é que hoje a situação da educação no país é no mínimo, alarmante.

Dados que revelam sérios problemas

De acordo com um relatório divulgado em 2008 pelo Ministério da Mulher e da Ação Social do Governo Moçambicano, o país possuía um milhão de crianças em idade pré-escolar (de 3 a 5 anos).

Acontece que apenas 4% tinha acesso ao ensino pré-escolar. Detalhe: essas estatísticas cabem apenas para as crianças que vivem nas zonas urbanas. As que vivem nas zonas rurais sequer foram mencionadas no relatório. Outra questão importante: quase 50% da população de Moçambique é formada por crianças que vivem em zonas rurais.

Um “estudo de caso” proposto pela Save the Children (um ONG que cuida dos direitos das crianças no mundo), sobre a alfabetização em Moçambique, afirma que apenas 41% das crianças da primeira à terceira classe, ou seja, de 6 a 8 anos, leem de 3 a 5 palavras por minuto e são capazes de escrever o próprio nome.

Uma outra abordagem com foco na educação do pais, com base em estudos desenvolvidos pelo Banco Mundial, datada do ano de 2010, revela que 50% das crianças em idade escolar tinham à época sérios atrasos de habilidades de pensamento crítico e outros 25% delas apresentavam atrasos na comunicação e desenvolvimento motor.

Esses relatórios potencialmente negativos têm deixado tanto sociedade civil como Governo Moçambicano em estado de alerta. E fruto dessa preocupação são as tentativas de se firmar parcerias entre ambos para alterar esse quadro.

O que percebo, pelo menos, é uma vontade de mudança no país. O que considero já ser um indicador que por si só merece ser evidenciado. Pensando nisso, convidei o ativista Judas Massinge, da Save the Children para falar ao “Terras de Moçambique” sobre o assunto.

Quer saber mais sobre o trabalho da Save the Children em Moçambique? Clique aqui.

Plano estratégico a ser implementado

De acordo com o ativista da Instituição, começam a ser firmadas parcerias do Governo Moçambicano com ONG’s de proteção à criança que desejam reverter essa situação negativa. “A futura estratégia irá considerar crianças de 0 a 5 anos e será adaptada de acordo com as condições de cada lugar, com escolinhas comunitárias e centros infantis privados ou do Estado, isto é, esse planejamento deseja ser inclusivo. Acredito que no ano que vem tudo isso estará a crescer”, afirma.

Oxalá seja válida essa iniciativa. No entanto, o Comitê das Nações Unidas para os Direitos Humanos aconselha ao Governo Moçambicano que “aumente o acesso ao desenvolvimento e educação já na primeira infância e mobilize forças para levar uma melhor qualidade de ensino às demais faixas etárias”.

Estejamos atentos. Fica a torcida!

Hambanine e até o próximo post! No seguinte trago para você um pouco do trabalho da Unicef Moçambique.

A verdadeira lata de sardinha ambulante

Transporte público na capital de Moçambique é sinônimo de desrespeito

O transporte coletivo é parte essencial de uma grande cidade. Falei o óbvio, não? Mas aqui em Maputo o buraco é mais em baixo.

De acordo com uma matéria de um jornal de Moçambique, O País, a capital Maputo “tem um crescimento populacional de 1,2 por cento por ano. Segundo os resultados do Censo Geral da População e Habitação, a cidade contava com 1.094.315 habitantes em Agosto de 2007”, ou seja, a população tem crescido a cada ano e os serviços de  transporte coletivo não têm acompanhado o ritmo. Quer saber mais sobre isso? Clique aqui.

Me indignar com o que vejo os moçambicanos passando e sentir esses problemas do transporte público em Maputo na pele (afinal, sou também um usuário), me motivou a escrever esse post. Dos muitos lugares que conheci, talvez Maputo seja a cidade que mais sofre com o descaso político em relação ao transporte coletivo. Nem em La Paz, capital caótica da paupérrima Bolívia, percebi tantos problemas.

Para falar a verdade, acho que Maputo não tem de fato um sistema de transporte público. A TPM é uma TPM mesmo. A responsável TPM (Transportes Públicos de Maputo) está de brincadeira com a população.

O que vejo aqui é uma humilhação diária que os moçambicanos enfrentam. Bixas (filas, como dizem por aqui) intermináveis e preços altos dos “chapas” (van, no dialeto changana) que não condizem com a realidade do serviço prestado. Tudo isso é apenas a ponta do iceberg. Assim como em qualquer grande centro urbano no mundo, os moçambicanos  dependem diretamente do transporte coletivo para ir ao trabalho, ao médico, para a ir à escola, entre outros destinos.

A  dificuldade de locomoção da população por aqui beira o absurdo. Todos sabemos que os transportes públicos em um metrópole são fundamentais para levar as pessoas de um ponto a outro na área dessa grande cidade. E aqui não há ônibus (poucos, na verdade) ou metrô que prestam serviços minimamente decentes, como estamos acostumados em nosso país. Acha o transporte público ruim no Brasil? Experimente vir para Maputo (risos).

O transporte coletivo é feito na maioria esmagadora das vezes pelos “chapas” e o desconforto, as más condições dos veículos e a superlotação incomodam muito os usuários. Não se respeita o número máximo de passageiros dentro dos veículos e quando todos entram, vejo dezenas de passageiros ficarem com o bumbum para fora  e outros sentados na janela. Cinto de segurança? Ah, nem sei se existe isso para quem pega os “chapas”.

Na capital de Moçambique não há ônibus coletivos que ligam o centro aos bairros e os bairros ao centro. O que a população utiliza por aqui são essas vans de 15 lugares. Dependendo do horário você pode entrar numa van de 15 lugares e se deparar com  mais de 25 moçambicanos espremidos como sardinhas dentro de uma lata motorizada.

Uma cartilha politicamente correta daria conta de que o meio de locomoção coletivo de uma grande cidade deve propiciar aos munícipes condições plenas de se locomover, garantindo o seu direito de ir e vir. Ela poderia mencionar a luta por uma melhor qualidade de vida para a população, traduzida por condições de transporte dignas, com segurança e acessibilidade. Poderia ainda intencionar uma rede de transportes integrada e eficiente para o povo.

Só que aqui o “maputense” fica a ver “chapas” lotados, apressados e que não o atendem. Os veículos são superantigos e os motoristas despreparados dirigem como se estivessem dentro de um fórmula 1. Detalhe: muitas dessas vans que transitam em Maputo sequer tem a documentação regularizada junto aos órgãos próprios.

Debates pertinentes ao transporte público são sempre bem vindos em qualquer grande centro urbano do mundo, mas no caso de Maputo, acho difícil se chegar a uma conclusão precisa. Aqui, como na maioria das metrópoles brasileiras, o transporte coletivo é caótico. Além do tráfego intenso de automóveis, vias pouco sinalizadas, esburacadas e semáforos que não se entendem, a capital de Moçambique sofre com a falta de cuidados por parte do poder público.

Pelo que apurei, o transporte coletivo é um dos serviços mais criticados pelos moradores de Maputo. E não é difícil entender o porquê disso, concorda?

Estimativas do Conselho Municipal

Chapas desconfortáveis e em más condições, motoristas que não param nos pontos e desrespeito aos horários são as críticas mais recorrentes.

Pensando nisso fui até a “Direcção Municipal de Transporte e Trânsito” de Maputo, órgão responsável pelo trânsito na capital vinculado ao Conselho Municipal (entenda Prefeitura), para falar com o responsável. O chefe desse departametno não se encontrava no gabinete durante toda a tarde que esperei e os funcionários não quiseram se manifestar sobre o assunto. Lá obtive apenas dados interessantes que mostro a seguir.

De acordo como o órgão que cuida do trânsito, “o número estimado de passageiros transportados durante o mês pelos operadores de transportes coletivos cadastrados é de 2,870.640 passageiros”.  Pensei comigo: e os que não estão cadastrados? Bom, deixa isso para lá. Mas a verdade é que esse número é bem maior.

Veja abaixo o que pensam alguns usuários de chapa e chapeiros em Maputo.

Usuários:

Simião Alberto, 25 anos, comerciante informal. É morador do bairro de Zimpeto. 

“Deve mudar a atitude dos cobradores e dos motoristas, porque há muitos chapas, mas não há seriedade por parte deles. Eles encurtam as rotas e não chegam aos terminais. Isso provoca um grande fluxo de pessoas e bixas enormes. (…) penso que o município deve entrar em contato com os motoristas para sensibilizá-los a mudar de comportamento, porque sofremos muito quando há fluxo de pessoas nas paragens e tem aparecido oportunistas que furtam nossos bens. Os chapeiros encurtam a distância sempre. Como eu não tenho carro pessoal e moro longe, a minha deslocação depende dos chapas e só através deles chego ao meu setor de trabalho.

(…) o preço dos chapas é razoável. O que tem acontecido é que acabamos gastando mais em relação ao valor simbólico marcado devido as ligações que fazemos diariamente. Para chegar ao Museu saindo de Zimpeto subo três chapas e diariamente gasto 25 meticas”.

Isabel Fernando, 42 anos, doméstica. É moradora do bairro de Kongolote. 

“É difícil subir chapa. Diariamente para chegar em casa tenho de me sacrificar e entrar em qualquer chapa. Fico mais de 40 minutos a espera de chapa todos os dias. Apesar de existir muitos chapas para chegar em casa subo dois ou três chapas e em média gasto 30 meticais. O serviço só não é melhor porque falta planejamento. (…) o valor pago acho justo, mas nos tratam mal”.

 

Lucas José Cosabla, 52 anos, contabilista. Trabalha na Câmara do Comércio de Moçambique. É morador no bairro da Machava Socimol. 

“Tudo deve mudar porque diariamente tenho ficado duas horas a espera de chapas. Estou aqui a mais de 35 minutos a espera do transporte e até agora nada. Os motoristas devem parar de encurtar as rotas. O que acontece é que, por exemplo, os chapas que deviam ir a Machava Socimol nunca chegam até o destino final.

(…) para chegar em casa tenho de fazer outras ligações de chapas ou caminhar a pé até a minha residência, porque os chapas encurtam as rotas. Mas ainda acho  o valor dos chapas justo, tendo em conta o preço dos combustíveis e os custos de manutenção”.

 

Alice José Cuna, 20 anos, estudante da Escola Secundária Josina Machel. É moradora do bairro Ferroviário.  

“Tem muitos carros, mas não circulam devidamente. Por dia subo quatro chapas, dois a ir a escola e dois a voltar. Com isso, gasto 20 meticais por dia quando só devia gastar apenas 10 meticais. Por que? Porque os motoristas encurtam as distâncias e não chegam até os terminais. Pela distância que os chapas andam, o valor do chapa ainda é justo, mas sofremos, tem vezes que não abrem as cadeiras para sentarmos, somos sujeitos a viajar de pé e apertados. O chapa não é confortável, as cadeiras tem lugar para três pessoas, mas sentam quatro, nos chapas maiores nem sentamos. Numa chapa que comportam 15 pessoas são transportadas 25, 30 pessoas. Apertados como em uma lata de sardinhas”.

 

Chapeiros:

Um chapeiro não quis se identificar. Mas falou abertamente sobre a questão.

“Faço a rota do Museu-Massaroca. O horário de pico é na parte da manhã e no final da tarde. Acho um pouco difícil nos darmos com os passageiros, porque cada um tem sua maneira de pensar e de reagir.

Os preços do chapa são relativamente baratos. A pessoa que pega o chapa daqui para o Benfica, por exemplo, paga 7,50 meticais. Mas há outros que descem por exemplo no Jardim e pagam 5 meticais. Para mim o preço ainda está bom.  Acredito que se não houvesse o chapa iria haver muita dificuldade de circulação de passageiros em Maputo. Desde que trabalho como chapeiro, já me deparei com policiais um pouco chatos né, que não parecem racionais de vez em quando e se aproveitam da situação difícil no trânsito. Ficam sempre a extorquir dinheiro de nós motoristas”.

João F. Mateus, 40 anos, chapeiro há 9 anos.

“Os chapeiros tem muitos problemas. Temos tido problemas com engarrafamentos e com a tarifa paga que é um pouco baixa. A rota que faço e T3-Museu. Ultimamente, não tem hora morta, sempre muito trânsito e movimento.

Levando em conta o vencimento das pessoas as tarifas são até baixas e correspondem. Temos tido problemas com a polícia, em qualquer esquina tem polícias e você pode estar certo com todos os documentos que eles sempre arranjam algum problema.

(…) ser chapeiro não é rentável, quando faço as contas no final do mês vai me sair uns 25.000 meticais. Desses 25.000 gasto uns 7.000 com a revisão do carro, tenho que comprar pneus e tenho que pagar o trabalhador que cobras tarifas. No final, chego a ficar com uns 6000/7000 meticais por mês. Não é sempre muito rentável”.

Os cadeirantes não tem vez

Já andei bastante pelas ruas de Maputo e quase não vejo cadeirantes nas ruas. As ruas são queijos suíços (sem exceções), repletas de obstáculos. Quando penso nisso me revolto e fico a me perguntar: como um cadeirante transita por aqui? Não, ele não transita. Essa é a verdade.

Não há pontos de chapas descentes para quem tem dificuldade de locomoção, e imagine colocar um cadeirante dentro de um chapa lotado até na tampa? Não dá. Ponto. Triste constatação. E as autoridades competentes nisso tudo? Bom, devem estar tomando um chazinho gelado no Hotel Polana e com certeza não devem ter ninguém na família que é cadeirante ou deficiente visual.

Transitam apenas dentro de seus carros de vidros escuros com ar condicionado ligado e, com olhares indiferentes não percebem a dificuldade dos moçambicanos. Ponto.  Outra triste constatação.

Como você vê é difícil mudar esse quadro tendencialmente negativo. Mas para além desses problemas apresentados, tenho que mencionar  que me incomoda também  a resignação dos moçambicanos. Há um conformismo generalizado quanto a isso que me assusta.

Confira abaixo algumas das rotas de chapas em Maputo, Matola, Marracuene e Boane:

Terminais em Maputo: Museu, A. Voador, Xipamanine, Hulene, Malhazine, Benfica, Albazine, Zimpeto, P. Combatentes, Costa do Sol, Matendene, Magoanine, Drive In, B. Jardim, Laulane, Baixa – Praca dos Trabalhadores e Oliveiras.

Terminais em Matola: Zona Verde, Machava-Benede, Machava-Socimol, Machava-Sede, Liberdade, Patrice Lumumba, Congolote, São Damanso, Padaria Boane, Malhampswene, Km -15, Nkobe, Mapandane (1º de Maio), Licuacuanine (Khongolote), T3, João Mateus, Fomento, Cidade da Matola, Matola “C”, Tchumene, Intaka, Singathela, Boquisso, Matola-Gare e Unidade “J”.

Terminais em Boane: Boane, Namaacha, Bela Vista, Changalane, Catuane, Massaca, Saldanha, Goba, Mafuiane, Matola Rio, Salamanca, Estevel e Rádio Marconi.

Terminais em Marracuene: Mateke, Muchafutene e Gwava.

(Mc) = Marracuene           

(Mt) = Matola                                    

(B) = Boane

             De        Para      Via

 

Museu

Xipamanine

Marien Ngobi

 

Museu

Albazine

Praça dos Heróis

 

Museu

Hulene

Praça dos Heróis

 

Museu

Hulene

E.Mondlane/Av de Angola

 

Museu

Laulane

E.Mondlane/Av de Angola

 

 

Museu

Laulane

E.Mondlane/Av de Angola

 

Museu

Magoanine

E.Mondlane/Av de Angola

 

Museu

Magoanine

E.Mondlane/Av de Angola

 

Museu

P.Combatentes

H.Central/Praca O.M.M

 

Museu

Malhazine

Benfica

 

Museu

Malhazine

Marginal/Oliveiras

 

Museu

Matendene

Benfica

 

Museu

Zimpeto

Benfica

 

Museu

Zimpeto

Marginal/Oliveiras

 

A. Voador

Xipamanine

G.Popular/E.Mondlane

 

A. Voador

Costa do Sol

E.Mondlane

 

A. Voador

P. Combatentes

Kar Max/V.Lenine

 

A. Voador

P. Combatentes

Praça dos Heróis

 

A. Voador

Hulene

Praça dos Heróis

 

A. Voador

Hulene

Praça dos Heróis

 

 

A. Voador

Albazine

Praça dos Heróis

 

A. Voador

Albazine

Praça dos Heróis

 

A. Voador

Magoanine

E.Mondlane/Av de Angola

 

A. Voador

Malhazine

E.Mondlane/Av de Angola

 

A. Voador

Malhazine

E.Mondlane/Av de Angola

 

A. Voador

Benfica

Marginal/Oliveiras

 

Xipamanine

Hulene

Av de Angola

 

Xipamanine

Drive In

A.v de Angola

 

P.Combatentes

Benfica

Hulene/Malhazine

 

Costa do Sol

B. Jardim

Marginal/Oliveiras

 

Zimpeto

Cidade da Matola (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Zimpeto

Machava Socimol (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Zimpeto

P. Boane (B)

Marginal/Oliveiras

 

Zimpeto

Singathela (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Zimpeto

Singathela (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Benfica

Liberdade (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Benfica

1º de Maio (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Benfica

Inataka (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Benfica

Boquisso (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Benfica

Mapandane (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Malhampswene (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

P. Lumumba (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

P. Boane (B)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Fomento (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Liberdade (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Matola C (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Machava Socimol (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Cidade da Matola (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Nkobe (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Baixa

Unidade H (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Junta

Cidade da Matola (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Junta

P. Boane (B)

Marginal/Oliveiras

 

Junta

Liberdade (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Junta

Machava Socimol (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Malhampswene (Mt)

Cidade de Matola (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Malhampswene (Mt)

Mozal (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Malhampswene (Mt)

Thcumene (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Malhampswene (Mt)

Boane (B)

Marginal/Oliveiras

 

Cidade da Matola (Mt)

P.Lumumba (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Cidade da Matola  (Mt)

P.Lumumba (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Cidade da Matola (Mt)

Liberdade (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Cidade da Matola (Mt)

Nkobe (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Cidade da Matola (Mt)

Khongolote (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Matola C (Mt)

Michafutene (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Matola-Gare (Mt)

Machava-sed (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Matola-Gare (Mt)

Tenga (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

T.3 (Mt)

Matlemele (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

T.3 (Mt)

Licuacuanine (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Liberdade (Mt)

Mulotane (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

P. Lumumba (Mt)

Nkobe (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Tsivene (Mt)

Boquisso (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Muhalaze (Mt)

Drive-in (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Machava (Mt)

Mozal (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Matendene (Mt)

Singathela (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Mavoco (Mt)

Unidade J (Mt)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Namaacha (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Bela Vista (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Changalane (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Catuane (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Massaca (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Saldanha (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Goba (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Cèlula (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Mafuiane (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Salamanca (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Estevel (B)

Marginal/Oliveiras

 

Boane (B)

Radio Marconi (B)

Marginal/Oliveiras

 

Matola Rio (B)

Maputo

Marginal/Oliveiras

Espero que tenha gostado. Hambanine e até o próximo post!

Onde nasce o sol

Banda moçambicana preserva raízes musicais africanas

“Wuchene” no dialeto ronga significa: “onde nasce o sol – a nascente”. Esse é nome do grupo de rapazes do Polana Caniço B e de Maxaquene (bairros pobres de Maputo), que fazem um som muito bom de se ouvir.

Esses garotos de vinte e poucos anos cultuam suas raízes africanas e, em seus ensaios num estúdio improvisado num fundo de quintal de uma casinha, fazem pulsar a essência da tradicional música africana. Eles ensaiam de segunda à sexta, das 08h30 às 10h30, e desses encontros fazem “nascer” e “renascer” o que há de melhor da velha música do continente mãe.

Assista a um video do ensaio


Peguei um “chapa” (van, no dialeto changana) e fui até o estúdio dos garotos no bairro Polana Caniço B. Participei de todo um ensaio dos garotos e confesso: foi sensacional presenciar a musicalidade africana que existe nesses meninos guerreiros. 

Eles fazem tudo na raça, improvisam mesmo e desse improviso, transcendem e deixam fluir o seus talentos. Tive muito prazer em fazer essa matéria e agora, divido com você um pouquinho disso.

O sol nasceu há tempos

Pensa que eles começaram agora? Não. Conforme fui informado, o “Wuchene”, com a formação atual da banda estão juntos há 9 anos. “Para nos unirmos partiu da vontade de cada um. Durante esses 9 anos estamos a trabalhar. E a nossa meta é preservar a sonoridade dos instrumentos puramente tradicionais que utilizamos. Como por exemplo, no lugar da bateria convencional usamos um tambor típico” afirma Elias José Manhiça, de 26 anos e líder da banda.

Cada um tocava desde criança no seu canto em casa. Então, como eram amigos, decidiram se juntar para fazer algo um pouco mais visível. E tocam, essencialmente, uma música tradicional moçambicana, com algumas influências de outras regiões da África. “Em termos de gêneros musicais tocamos a “marrabenta”, que é o ritmo mais divulgado aqui em Moçambique. Temos diferentes ritmos tradicionais africanos, temos um pouco da pegada “reggae” e temos a “mandinga” também. Tocamos ainda ritmos da Africa Ocidental”, declara o tocador de mbila, Zarias Vasco Marquel.

Segundo Manhiça, tocar instrumentos africanos é uma das metas do grupo. “Temos “janbei” que é um instrumento milenar de origem africana. Temos a “mbila”, os “choopes”, e aqui temos os “junjuns”. Esses instrumentos são da África Ocidental. Temos também outros instrumentos que não estão aqui conosco, mas que fazem parte. Como por exemplo, a “mbira” da tribo zizu e do shonas do Zimbábue. Temos o “talking-drumm”, conhecido na zona norte da África como “tama”. Por que fazemos isso? Porque no momento que levamos esses instrumentos para fora de Moçambique, estamos a falar de nossos instrumentos tradicionais que fazem parte de nossa raiz”.

Outras atividades e apoio

O grupo “Wuchene” faz parte de um projeto de uma organização não governamental de mesmo nome, que conta com financiamento internacional e se desdobra em outras atividades desde 2004. Além do grupo em questão que tem envolvimento com música e dança, há no projeto uma vertente que explora diferentes expressões artísticas de jovens moçambicanos, como o teatro, o canto, a poesia, a arte em esculturas e a dança típica do país. A organização faz às vezes de inscrevê-los em festivais e levá-los para fora de Moçambique.

Esses garotos, por intermédio da organização, estiveram recentemente a participar de um festival de música e dança em Xangai e Macau, na China. Nessas cidades apresentaram danças típicas moçambicanas e levaram seu som aos chineses. Outro momento interessante do grupo foi em julho desse ano, onde participaram do Festival Nacional de Cultura de Nampula, patrocinado pelo Governo Moçambicano. Quer saber mais sobre esse festival? Clique aqui

 Dos sonhos e desejos

Perguntei a eles se tinham vontade de conhecer o Brasil. Sabe qual foi a resposta? Entre olhos brilhando e sorrisos largos: “sim, muita vontade. Por acaso, lá em Macau, nos encontramos com um grupo brasileiro de dança chamado “Batubatê” e fizemos uma criação juntos”, respondeu entre sorrisos outro integrante.

Diante daqueles sorrisos largos não me contive e perguntei o óbvio. O que é a música para vocês? Mais risadas e olhares acumpliciados. “A música para nós representa a vida em diferentes vertentes. A vida como é. Nós sempre precisamos da música seja na perda de alguém, seja no ganho e no nascimento. É importante. Precisamos da música para celebrar. Significa muito. Nos inspiramos na música para falar do dia a dia. Cantamos em ronga, changana, maconde e em ndau”, declara o líder da banda.

Outra pergunta que me aguçou foi: vocês já gravaram algum CD? “Ainda não gravamos. Nossa intenção primeiro é sermos conhecidos. Nosso produto ser conhecido e ganharmos patrocínio. Conforme vê, aqui improvisamos. Por exemplo, esses amplificadores são individuais. Uma solidariedade que os artistas estão a dar para a banda. É um sonho, mas um sonho que ainda falta muito a chegar. Até agora o sonho principal é divulgar a banda”, disse Manhiça.

Clique no vídeo abaixo e veja um recorte da entrevista.

Naquela altura eu já estava absorto pelas conversas. Disparei: a música faz vocês se sentirem mais moçambicanos? Mais sorrisos, só que agora acho que os desconcertei. Mas a resposta veio imediata. “Claro, cantamos nossa identidade. Veja você que quando participávamos desse festival em Macau, encontramos lá uma cantora portuguesa chamada Carmem de Souza, que era a figura do cartaz do festival. Mas quando nós atuamos em nosso primeiro espetáculo lá já na segunda apresentação, nós viramos a figura de cartaz do festival. Gostaram do nosso trabalho porque trazíamos instrumentos tradicionais, vestiamos roupas tipicamente moçambicanas e apresentamos danças que representam todo o país. Isso é foi honra para nós”, avaliou Manhiça.

Entre a guerra diária e o sonho da arte. É esse o dia a dia de vários artistas moçambicanos que preservam suas raízes. Entre sorrisos largos, olhares talentosos e um som melodioso eu passei minha manhã.

Quer ver mais fotos do ensaios do “Wuchene”? Clique aqui

Quer ajudar? Me ajude a divulgar esse trabalho dos caras. Quem sabe esse “sol nascente” chegue até o Brasil? O telefone de contato dos garotos é +258-8291-86-872 e o email é: eliasputxana@gmail.com

Abaixo segue outro video que mostra um pouco mais do talento desses garotos.

Hambanine e até o próximo post!