O camarão-tigre, o “formigueiro” e o canhoeiro

No post anterior que eu falava sobre Moçambique, mencionei que na sequência eu iria tentar falar um pouco sobre os aspectos da identidade do moçambicano. No entanto, por se tratar de tema complexo e ainda por não ter ouvido todas as fontes que gostaria, preferi postar um antes que fala também dessa identidade, mas sobre outra vertente. Espero que goste. Vamos a ele.

Comer frutos do mar em Moçambique não é considerado um luxo como em muitas partes do Brasil. Em Minas, por exemplo, principalmente em Belo Horizonte, vejo “restaurantes legais” colocar os preços dos mariscos nas alturas, só para nos fazer lembrar nossa distância do Atlântico. (risos)

Os amigos mais próximos, família e Luisa conhecem bem o meu “subnutrido apetite” por tudo que debaixo d’água vive. Tenho uma certa resistência herdada do ventre materno (risos). Mas creia, isso não me impediu de comer um camarão pescado em Moçambique. “O camarão-tigre”. Um orgulho nacional, pelo que percebi.

É recorrente a afirmação entre os moçambicanos que converso de que “o camarão pescado na costa de seu país é o melhor do mundo”. Não tenho parâmetros para falar sobre, dada a minha forte aversão a crustáceos (que continua, diga-se de passagem – mesmo diante de sucessivas tentativas), mas há quem diga “que é realmente sensacional”…

Degustei o tal e de quebra, conheci um local muito bacana. Não sei ao certo se gostei mais do camarão ou do lugar encontrado. Mas de qualquer forma, entre dúvidas e certezas, cá está esse post que divido com você agora.

Onde encontrar o tal tigre

Bom, já falei bastante e ainda não disse onde comer esse camarão né? Você pode encontrá-lo fresquinho, saído das águas mansas do Índico no Mercado do Peixe, em Maputo. Ainda continuo sem saber se gostei mais do “tigre” ou do lugar onde o comi, mas chega de enrolação, vamos lá.

Mercado do Peixe em Maputo

O local é superagradável e é uma parada obrigatória para a “turistada”. De fácil acesso, tanto de carro como de “chapas” (tranporte coletivo de Maputo), o Mercado está localizado na Avenida Marginal, próximo a praia da Costa do Sol, agarradinho ao Clube Marítimo e é, sem dúvida, um dos locais que você não pode deixar de visitar na capital de Moçambique.

Uma dica. Se você for do tipo  “nojentinho (a)”, conhecer o “Mercadão” pode não ser aprazível. Se é daqueles (as)  “tudo clean com glamur e fru-frus”, passar por esse sítio (local, como dizem por aqui) pode ser um programa desastroso. Por quê? Explico: o cheiro forte dos peixes e a aglomeração de gente podem incomodar alguns mais sensíveis aos cheiros e a “poeira de gente”.

Conselho. Se você é assim esqueça esse post e vá ler em outro lugar algo sobre “como eliminar germes” ou ainda “como se deliciar da alta culinária sem sujar suas mãos e dentes” (risos). Lencinhos umedecidos e tchau-tchau. Foi mal, mas detesto “gente limpinha demais. Pago por minha sinceridade.

Espantados os “frescóides de plantão”, tenho a dizer que o lugar não é tão bonitinho à primeira vista. Mas, se você ainda quiser conhecer e tiver um olhar mais atento vai perceber que lá é um lugar de efervescência de costumes locais, de cores, de sons e de cheiros que vale à pena conferir. E claro, comer o legítimo camarão moçambicano pode valer às custas de se aventurar por lá. Porque lá é realmente uma aventura, explico a seguir.

O que se vê do lado de fora

Não se assuste. Na rua do mercado há um transa-transa de gente comprando e vendendo coisas. Vão lhe oferecer algo com certeza. Nas barraquinhas do lado de fora do Mercado você encontra de tudo: preservativos, ervas medicinais, vassouras, bolsas femininas, papel higiênico, alicates de unha, artigos eletrônicos, foguetes, velas, detergentes, chocolates, cigarros e bebidas. Um mercado paralelo ao  Mercado do Peixe que é curioso observar. Mas o melhor ainda está por vir.

Já à porta, muitas atendentes dos restaurantes que ficam ao fundo do Mercado do Peixe vão te abordar querendo levá-lo (a) aos seus respectivos estabelecimentos. Elas são realmente determinadas. Então, dê seu jeito e vá primeiro dar uma voltinha nas barracas dentro do Mercado antes de pensar em se sentar para o almoço. Despistá-las é a saída. Mas adianto, não é tarefa das mais fáceis.

As barraquinhas de madeira

Extensas bancadas de madeira se misturam a peixes coloridos, balanças e gente passando de um lado para o outro. Paredes desgastadas pelo tempo nem se percebe, o charme fica por conta dos incansáveis vendedores que comercializam variados tipos de peixe, ostras, camarões-tigres, lagostas, lulas e caranguejos.

Perguntei a uma “mamá” (maneira respeitosa como os moçambicanos tratam senhoras de idade em changana) se o Mercado abre todos os dias e ela com as mãos perfumadas por uma lula me respondeu que sim. Até aos domingos “mamá”? “Sim, “boss”, é nos domingos que vem mais “gentes” parar neste sítio”. (sic)

O que é o mais legal? O legal é você ir até lá e “pescar” seu peixe numa das barraquinhas de madeira do mercado. Outra coisa bacana é poder levar para o preparo num dos restaurantes que ficam no fundo do lugar. Mas há também alguns inconvenientes, conto na sequência.

Se esquive dos vendedores chatos

Os “papás” e “mamás” vendem freneticamente seus pescados. E são super insistentes no comércio dos mariscos. Não se engane, são tão chatos que se você não estiver numa “vibe legal” vão conseguir lhe estressar. É a prática do local fisgar o cliente pela boca, ops, insistência. Não tenha medo de ser duro (a) em alguns momentos, pois caso contrário, vai chegar um momento em que 15 ou 20 vendedores vão fazer sua cabeça fritar mais que peixe na frigideira. Paciência e firmeza não faz mal a ninguém.

Eles chegam mesmo a brigar um vendedor com o outro por conta de uma venda. Disputam clientes no anzol. E quando pescam seus clientes, aí é a hora de negociar. A parte mais legal.

Se você estiver disposto a degustar o “camarão-tigre” é preciso pechinchar. O barato é isso, a negociação dos pescados pode durar horas e nesse meio tempo você pode ir sentindo o local e perceber os hábitos e práticas do lugar.

Se estiver com pressa, esqueça. O lance é passar pelas barraquinhas de madeira, apressar os valores dos peixes e conversar com os vendedores. Ah e “gringuitos” no final sempre irão gastar um pouquinho a mais. É normal isso por aqui, uma prática corriqueira. Para além do produto que escolheu, saiba tirar dali outras experiências.

Saiba que tudo lá é muito fresquinho, apesar de não haver refrigeração. O pescado fica no gelo e não tem aquele odor de peixe velho não! No entanto, se você não saca muito de frutos do mar, o mais recomendável é ter um amigo que faça às vezes. Pois, apesar de ser tudo muito fresco, um ou outro pescado pode estar digamos: “em processo de amadurecimento”. (risos)

Média dos preços

Vamos lá, se me recordo bem era assim: 1kg de camarão-tigre = 550,00 meticais (mtc); 1kg de camarão kapa = 450,00 meticais (mtc); 1 kg de lagosta = 600,00 meticais (mtc) e 1 kg de lula = 350,00 meticais (mtc). Claro que há também uma variedade gigantesca de outros pescados. E tudo é negociável. Para se ter uma ideia em reais, divida tudo por 14 e vai saber. E esse valores podem cair bastante, basta exercitar a arte que sabemos bem: “dar uma choradinha nos preços”. Outra coisa importante é checar a balança na hora de comprar os pescados e ficar esperto para não ser enganado (a).

Restaurantes do Mercado

Depois que você escolheu tudo fresquinho é hora de levar o que comprou para os restaurantes que ficam lá no fundo do Mercado do Peixe. Há vários e você pode escolher. Lá eles limpam o peixe e preparam tudo. Servem acompanhamentos e uma cervejinha não muito gelada. Whatever, estamos em África meus caros brasileiros. Cerveja gelada é coisa rara por aqui. Ah, outra coisa: seu prato com o pescado vai demorar um bocadinho (risos). Esteja disposto (a).

Atrás das barraquinhas onde os vendedores se digladiam pelos clientes, você encontra um lugarzinho bem aconchegante, com várias mesas de plástico e cadeiras ao redor de um “canheiro” (árvore que da o fruto marula – lembra aquela bebida “Amarula” que a gente toma no Brasil? Pois é, a própria), que faz sombra ao local e deixa extremamente convidativo sentar-se ali e aos seus pés.

Vai demorar o prato? Vai, mas vale à pena deixar-se embalar pela sombra daquela árvore e ali, abraçado por ela, tomar uma 2M (cerveja local) e prosear com os amigos ao som de muitas músicas tradicionais que tocam nos restaurantes dali. Isso só abre o apetite e o preço é acessível.

Almoçar lá é “maningue nice” (maneira usual do moçambicano se referir a algo muito bom – maningue em changana quer dizer muito e nice – pô, claro que você sabe o que isso significa em inglês). E vale à pena viu, até para quem não curte peixe como eu.

Hambanine e até o próximo post!

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Acordar cedo é lei em MPT

Saio da faculdade e me deparo com pessoas fazendo “cara de paisagem”, sem pressa e a dividir espaço nas calçadas esburacadas de Maputo (MPT).

Passo por vendedores de frutas que me oferecem maçãs, bananas e laranjas frescas. Falam comigo em inglês pensando que sou europeu, explico que sou brasileiro e que estou só de passagem. Mesmo assim, continuam a querer vender os seus produtos. “Leve pelo menos uma pêra meu chefe”, insiste uma comerciante.

Quando olho para o lado já vêm outros vendendo ovos, verduras, amendoins e castanhas. Olho novamente para o outro lado da rua e lá tem um monte de gente com roupas vermelhas e amarelas comercializando cartões para alguma empresa local de telefonia móvel. Continuo o meu trajeto.

Na esquina tem um banco com seguranças à porta e um bocado de idosos impacientes do lado de fora. Reparo na fila e percebo que já está começando a dar a volta no quarteirão.

Continuo. Passo por um poste caído e vejo cinco ou seis trabalhadores da energia elétrica de Moçambique mexendo em vários fios e não se entendendo sobre o problema da falta de luz na rua.

Na mesma calçada, vejo um posto de gasolina que oferece ducha para quem colocar no tanque do carro 800 Meticais – (Mtc). Uma fila enorme de carros. Todo mundo querendo uma ducha “mahala” – grátis no dialeto changana.

Comércio informal nas ruas de Maputo

Atravesso a rua. Do outro lado, uma banquinha vende livros usados esparramados pelo chão. No mesmo espaço outros vendedores negociam roupas e sapatos usados. Uns sentados no chão e outros em pé. E outros tantos, a vender artigos eletrônicos. “Vai um pen drive de 16 Giga, chefe? É preço justo meu “brada” – irmão no dialeto changana. Não, obrigado! Respondo e prossigo.

Agora vejo uma mulher que varre a rua. Vejo também outra no mesmo momento a jogar o resto do sanduíche que comia no chão. Uma olha para a outra. A que varria balbucia algo em changana que não entendo. Parece que ela não gostou do que a outra fez.

Prossigo. Passo em frente a um ponto do “chapa” (van no dialeto changana). Pessoas achando que também quero pegar a van trombam comigo querendo um espacinho naquele veículo caindo aos pedaços. Entram todas. Umas vinte e tantas lá dentro, calculo. Olho tudo aquilo e sigo andando.

Em meio àquele aglomerado de gente que gesticula e fala alto, um homem empurrando um carrinho de cimento tromba com minhas pernas logo à frente. Peço desculpas por ter sido atropelado.

Recomposto do susto ao olhar para frente vejo bares, lanchonetes e restaurantes a receber gente com fome. E eu? Saindo da faculdade também com fome, esqueço os reclames do meu estômago e fico ali a admirar toda aquela movimentação. Já são 12h30 e estamos na hora do almoço. De onde estou vejo estudantes esfomeados saindo das escolas e das universidades. Paro ali para olhar. A poeira das ruas paira no ar e atinge minhas narinas. Carros se engalfinhando por espaços nas vias principais de Maputo dão agora passagem ao comércio informal e a dezenas de jovens com mochilas nas costas e fones de ouvido atravessados no pescoço. Será o que escutam? Me pergunto.

O comércio e a movimentação de gente na região central estão à pino como o sol que não dá trégua. E acho que essa mesma movimentação começou muito antes desse mesmo sol dar o ar da graça.  

Antes do galo cantar

As manhãs iniciam sempre bem cedo para quem vive em Maputo. Principalmente, para a massa menos privilegiada que não tem um emprego no Estado, na iniciativa privada ou é um profissional com graduação superior.

“Para quem vive do comércio informal a rotina começa antes mesmo do sol nascer. E não é diferente para os homens e mulheres. Ambos estão de pé bem cedo para fazer valer o dia”, me confessa uma mulher que vende cigarros na esquina onde eu estava.

Homens se dirigem aos seus empregos na construção civil e comércio. E mulheres, geralmente, transportando os seus filhos menores às costas nas famosas “capulanas” (tema de um futuro post, prometo) iniciam seu dia realizando tarefas em casa, nas suas “machambas” – hortas e quintais no dialeto changana – para só depois saírem às ruas para comercializar seus produtos.

Mercado Central de Maputo

Muitas delas saem de casa 4h30 da manhã para pegar “chapa” e se dirigirem até à Baixa da cidade ou à região central de Maputo, onde o comércio é mais intensificado. Outras rumam para os mercados: central e do peixe (ainda vou escrever sobre esses locais).

 Assista a um video que mostra um pouco como é a cidade.

Temperatura e o horário comercial

Desde que cheguei a Maputo, tenho me admirado com a variação da temperatura por aqui. Às 6h30, horário que geralmente acordo, a temperatura está lá pelos seus 13° C com um ventinho cortante vindo do mar. A cidade é plana e o vento corre ligeiro.

Lá pelas 9h o sol começa a esquentar e me faz lembrar que estou na África. Às 13h, o astro rei não poupa ninguém. Talvez por isso, todos fazem uma pausa para almoço que aqui é “sagrado”. O comércio, as instituições públicas e bancos fecham suas portas para um pequeno intervalo.

O que vejo aberto nesses horários são os restaurantes e lanchonetes que recebem os moçambicanos e as outras etnias que aqui estão para almoçarem.  E detalhe: sem pressa.

Já às 15h30 o comércio que havia fechado reabre as portas. Outro detalhe: esse mesmo comércio estava aberto desde às 7h30. Uma justa parada, eu acho.

Quando é por volta de 17h à temperatura começa a cair bruscamente e já se começa a sentir o ventinho gelado das monções do Índico.  O sol se põe cedo e a noite vem rápida. É hora, então, dos bancos e instituições privadas e públicas cerrarem novamente suas portas. E o que percebo é que os funcionários querem agora é tomar o rumo de casa ou fazer um “happy hour”.

Há parte do comércio que permanece aberta até às 18h30. Alguns chineses, árabes e indianos insistem com suas lojas até às 19h30. Mas a essa altura, já é noite e quem consegue já está em casa.

Aqui se dorme cedo. Talvez porque o dia começa também cedo, é longo e repleto de desafios. Na capital de Moçambique, apesar do trabalho árduo que percebo e o dia vir antes do sol raiar, as pessoas (ao contrário de muita gente que vive em grande centros urbanos no Brasil) não são tão apressadas ou estressadas por isso. Carregam sempre um sorriso no rosto e começam suas rotinas bem cedo porque aqui, a vida é muitas vezes injusta e breve.

Praia Costa do Sol

Enfim, um ritmo um pouco diferente do que estamos acostumados. E nos finais de semana os maputenses relaxam. São neles que muitos vão à praia da Costa do Sol para jogar aquela pelada, tomar uma cervejinha e sentir as brisas revigorantes do Índico.

Nos próximos post’s falo um pouco sobre a história de Moçambique e trago mais detalhes da vida em Maputo.

Hambanine. Até…

Para todo início tem um começo

Terras de Moçambique, cá estou há dez dias. Cheguei à Maputo, capital desse país africano de língua irmã num domingo pela manhã (22 de julho). Uma semana antes do começo das aulas de jornalismo na Politécnica.  

Aeroporto Internacional de Johanesburgo – África do Sul

Depois de um estresse danado com minhas malas extraviadas no aeroporto de Johanesburgo, na África do Sul (sim, elas sumiram por lá entre centenas de esteiras e foram dar uma voltinha na Tanzânia, mas voltaram a tempo de jantarem comigo – risos), apaguei meu etnocentrismo com borracha, e me lancei a conhecer a moçambicanidade”. Sem julgamentos e de peito aberto.

Choque cultural

O chamado “choque cultural” que algumas pessoas me avisaram que eu sofreria na chegada, confesso, nem senti. Na verdade, foram divertidos esses primeiros dias. Tudo novo e diverso. Um misto de exótico e familiar que me fizeram muito bem.

Perceber algumas diferenças e semelhanças entre moçambicanos e brasileiros foi muito bacana nesse primeiro momento. O mais legal desse começo de caminhada em Maputo, foi perceber que a nossa pátria (independente de qual nacionalidade tenhamos: seja portuguesa, brasileira, angolana, moçambicana ou cabo-verdiana) bem que poderia ser uma única – a língua portuguesa, que nos une e nos aproxima.

Agora, uma coisa constatei sem muitas reflexões.  Eles (nossos irmãos moçambicanos) são donos de uma generosidade ímpar, de um sorriso contagiante e de uma força em não desistir das coisas tão maior ou igual a que temos no Brasil. Saber disso pelos meus próprios olhos me impressionou e só me faz nesses primeiros dias querer conhecê-los cada vez mais e admirá-los. Pensando nisso, me lembrei de uma frase de Euclides da Cunha : “O nordestino é antes de tudo um forte”! E parafraseando o mestre, repito sem medo de errar: “ sim, o moçambicano é antes de tudo um forte”!

A observar

Estive mais a observar que falar nesses dez primeiros dias. E já começo a me sentir em casa, talvez por minha natural familiaridade com a cultura afro, talvez porque os moçambicanos adoram os brasileiros ou quem sabe porque meu anjo da guarda é forte e tem uma veia africana.

Gerúndio complica

Dei um tempinho nessas primeiras publicações do blog para me ajeitar em um sítio (lugar) com dizem por aqui, achar internet boa e saber me locomover de forma segura em Maputo.

Nesse meio tempo “estive a procurar” – descobri que se eu usar o gerúndio por aqui, apesar de falarmos a mesma língua, as pessoas na maioria das vezes não me entenderão – nove moradias diferentes com variados preços, mas enfim, à duras penas, achei um cantinho a um preço justo – 8.500 meticais/mês – cerca de USD 300,00.

Quem não chora não mama

Pechinchar foi a palavra de ordem dos últimos dias. Outras palavras que foram recorrentes nesses primeiros dias foram: Mânica, 2M, Laurentina clara e Laurentina escura – cervejas locais (risos). E claro a palavra saudade. Essa não faltou hora nenhuma…

Na procura de um local para ficar conversei com um bocado de gente, fiz algumas entrevistas para o blog, delimitei possíveis pautas, escrevi três matérias que ainda publicarei, fiz fotos, conheci lugares, peguei chapa (van no dialeto shangana), maxibombo (ônibus no dialeto shangana), e tive a oportunidade já de cara em ir à Beira, capital da província de Sofala (cerca de 1.200 km de Maputo) a convite de uma família moçambicana, que me recebeu muito bem (tema de um futuro post, prometo).

As informações que colhi ainda no Brasil sobre a moradia em Maputo me valeram um pouco e com ajuda de duas amigas moçambicanas (quase moçambicanas porque vivem aqui há muito, mas são de Ruanda e Burundi) consegui encontrar um hostel de nome Fátima’s Backpacker Mozambique para ficar. Mas para morar em Maputo, não se engane. Os aluguéis para mulungos  (brancos em dialeto shangana) são bem carinhos viu!?!

Nos próximos post’s falo mais sobre isso, conto um pouquinho sobre a história de Moçambique e vos apresento Maputo. Se a Xuxa estivesse aqui ela diria: “beijinhos, beijinhos e… Hambanine” – tchau-tchau no dialeto shangana (risos) !!!

Até!