Moçambique – a origem do nome

Estar no continente africano, viver num país que fala a língua portuguesa e ainda assim não conhecer a sua história é algo que não consigo conceber. É o mesmo que mergulhar no oceano e não se molhar. Alusão meio louca não é!? Acho que são as monções do Indico que têm me influenciado.

Então, vamos lá. Ufa, até que enfim! Começo a abrir a série de post’s sobre a história desse país que escolhi viver pelos próximos meses.

Não sou nenhum catedrático, doutor ou coisa do gênero. E nem quero ser, na real. Sou apenas um curioso e aqui trago um pouquinho do que andei pesquisando sobre a história de Moçambique para você. E nesse primeiro post, trato sobre a origem do nome do país.

Procurei algumas fontes de pesquisa, ouvi algumas pessoas e o texto que segue abaixo é um pouco do que colhi. Três livros me ajudaram bastante nesse processo inicial de pesquisa.  “Terras Sonâmbulas” e “Vozes Anoitecidas” do renomado escritor Mia Couto. E o terceiro e talvez o mais importante: “Ensaio sobre a Cultura em Moçambique”, de Carlos Jorge Siliya.

Quero deixar claro (nessa série de post’s que abro sobre a história de Moçambique) que o que trato aqui é apenas uma interpretação de sua vasta história, e que talvez venha um pouco influenciada pelas informações que tive acesso até agora.  

Feitas essas considerações, vamos ao que andei aprendendo sobre a origem do nome – Moçambique – que agora, divido contigo.

Terras de Moçambique

Ao contrário do que muita gente pensa, a história das “Terras de Moçambique” – nome que dá título ao blog (você já deve ter notado) – é muito anterior à chegada dos portugueses por aqui no século XV.  

A coisa é (me permitam) “beeeeem” mais antiga. Quando os “portugas” chegaram aqui já havia uma sociedade negra de origem Bantu  a realizar um comércio bastante diversificado. E também existia uma forte presença árabe a comercializar e manter relações estreitas com as populações negras  locais. Esses povos de origem arábica exploravam o comércio marítimo na região. 

Partindo do princípio de que o atual território que hoje é chamado de Moçambique, em tempos antigos, já era conhecido por suas atividades comerciais, chegamos dessa forma, finalmente, à origem do nome do país.

Havia aqui, mais ao norte do território de Moçambique, duas comunidades bem organizadas: os Monomotapas e os Suailis.

Antes dos “portugas” aqui se aportarem, a primeira comunidade já entrava em certo declínio social e econômico. Já a segunda mais ligada ao comércio marítimo seguia despontando.  E você deve estar se perguntando agora: e onde é que fica a origem do nome do país nisso tudo?

Bom, pelo que li no livro de Siliya, acredita-se que o nome do país esteja ligado à adaptação de um nome de um sultão pertencente aos Suailis que os portugueses encontraram assim que desembarcaram na costa norte do país. O nome do cidadão era Mussa Bem Mbiki.

Os portugueses ao firmar comércio com os povos dessa região, passaram então, pela proximidade que se estabelecia à época  a denominar o território de: “Terras de “Mussa Bem Mbiki”.

Desde então, com o passar dos séculos, o nome inicial sofreu uma derivação  ficando Moçambique  – quando foi assimilado pelas populações locais, tornando-se assim, referência para os outros povos europeus que exploravam o comércio marítimo naquela época. Pelo que percebi, esse nome ganhou dimensão, e é essa a versão mais aceita por muitos estudiosos do assunto.

No próximo post trago para você mais recortes sobre a história desse país que confesso, tem me encantado.

Hambanine! Até lá…

Anúncios

Viver em Maputo é

Como estou há pouco em Maputo e o tema foi recorrente para mim nesses últimos dias, nesse post falo um pouco sobre o custo de vida por aqui.

Meticais

O que gasta um universitário estrangeiro em Maputo? Andei pesquisando um bocado sobre isso no Brasil antes de vir para cá. Achei que seria bem tranquilo e pagaria muito menos que em Belo Horizonte, por uma moradia segura para ficar, alimentação adequada e transporte.

No entanto, ao chegar encontrei uma realidade superinflacionada dos imóveis e da alimentação (transporte nem tanto). Talvez em função da crise mundial que efetivamente afeta Moçambique, talvez pela frágil economia do país que ainda conta com recursos valiosos da ajuda humanitária internacional ou quem sabe, pela abertura que se fez por aqui para receber a mão de obra estrangeira nos últimos meses, o que considero ser o mais provável.

Preços nas alturas e oportunidades para estrangeiros

O Dólar americano (pela cotação de hoje) está assim: 1 Dólar americano equivale a 28,60 Meticais. E isso influencia a questão dos aluguéis que são na maioria das vezes, cobrados na moeda estrangeira.

Investimentos estrangeiros no país e responsabilidade social por parte das empresas ainda não percebi. O que vi até agora foi muita gente de fora chegando e agarrando com unhas e dentes empregos em busca de oportunidades e ascensão social (chineses, brasileiros e portugueses estão invadindo e dominando o mercado).

O detalhe é que as oportunidades são bem maiores para os estrangeiros que propriamente para os moçambicanos, uma triste constatação. Tudo pela falta de mão de obra qualificada por aqui.

Um brasileiro que conheci nesses primeiros dias me disse que “os negócios por aqui refrearam, e as pessoas estão com certo receio em empreender. Cautela nos negócios é a palavra de ordem em todo o Estado de Moçambique”. E quem tem imóveis na região central de Maputo tem explorado essa questão, e colocado o preçário (como dizem por aqui) dos aluguéis nas alturas.

Capital especulativo imobiliário e uma “nova luso-invasão”

Vi portugueses chegando aos montes por aqui. Muitos alugando qualquer sítio (casas e apartamentos, como dizem aqui) e pagando preços elevados por esses imóveis, com valores inalcançáveis para um padrão de vida moçambicano. 

Outro fenômeno interessante que senti e que afeta a economia local é que muitos dos “portugas”,  fugindo de sua crise econômica interna, vieram para cá e estão a tomar empregos dos moçambicanos por muito menos do que ganhariam na Europa. Uma realidade cruel que fez com que os bens de consumo subissem em Maputo. Isso também ocasionou a supervalorização do  capital imobiliário local, a meu ver.

Casas e apartamentos para alugar

Até ontem, quando busquei valores reais dos aluguéis, casas pequenas de 1 quarto (“tipo 1” como dizem por aqui) que vem com sala, uma microcozinha e WC dentro da cidade, andavam às voltas de 8.000,00 a 10.000,00 Meticais (Mt) por mês.

Para se ter uma idéia de quanto vale isso na nossa moeda é só fazer a divisão por 14. Então, por exemplo, uma casa a 10.000,00 Meticais (Mt) dividido por 14, chega à bagatela de R$714,00. Levando-se em consideração o estado dessa casa que não é lá muita coisa, e normalmente é mais antiga e sem chuveiro elétrico, é bem caro. Essas casas são as que os moçambicanos chamam de “dependência” – casas menores que ficam dentro de um quintalzão com uma outra maior. Pelo que me informaram são bem seguras, pois tem a proteção da casa maior que geralmente é do dono das outras casas em volta.

Como cheguei por aqui e não sabia onde ficar busquei vários caminhos. Um interessante foi enviar um email para mozeventos@googlegroups.com  solicitando minha inscrição, informando quanto eu gostaria de gastar e quanto tempo permaneceria no local a ser alugado.

Depois disso recebi email’s com um bocado de sugestões. Achei bem dinâmico esse processo para conseguir referências e indicações de quartos e casas para dividir.  Achei também um pouco salgadas as sugestões, mas fica a dica para quem tem mais disponibilidade financeira.

Residência de estudantes

Tentei me instalar numa residência de estudante (deve ter mais ou menos 100 estudantes de vários locais da África divididos em 2 a 2 em cada quarto). Porém sem êxito, a procura é muito grande. O que apurei é que essa sim compensaria para um jovem universitário – são cerca de 2.300,00  Meticais (Mt)/Mês.

Faça as contas (divide por 14 aí)! Se você é daqueles frenéticos por conversão de moedas, clique aqui.

Alimentação e otrás cositas

Minhas duas amigas moçambicanas que já mencionei no último post, me ajudaram a mensurar alguns valores. Então vamos lá:

Alimentação – mais ou menos 5.000,00 Meticais (Mt)/Mês

Boa Internet são cerca de 4.000,00 Meticais (Mt)/Trimestral

Telefone Celular – 1.500,00 Meticais (Mt)/Mês

Pocket money para uma balada, viagem, uma pizza e claro, uma cervejinha (risos):  6.000,00 Meticais (Mt)/Mês     

Tudo o que está aqui são estimativas, dependendo do nível de vida que você queira levar chegando na Cidade das Acácias, a linda Maputo.

Fatima’s

Fatima’s

No final de tudo acabei ficando no Fatima’s Backpacker Mozambique, um hostel próximo a Politécnica bem transado, seguro e que acertei a um preço justo. Nos próximos post’s vos apresento essa guest house, falo da Maputo cheia de contrastes que encontrei e começo a tratar um pouquinho da história de Moçambique. Hambanine! Até lá!